Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 23/02/2018
De acordo com o mito da criação Inca, o ser humano e as estrelas foram criados pelo Deus Viracocha e, assim como os astros celestes movem-se em harmonia pelo céu, apesar de suas diferenças, uma sociedade só pode progredir se todos viverem em equilíbrio. Todavia, quando se observa a homofobia no Brasil, em pleno século XXI, percebe-se que a sabedoria da antiga civilização ameríndia não é aplicada no país, haja vista que os homossexuais são diariamente vítimas de crimes de ódio. Por isso, faz-se necessária uma análise dos caminhos a serem tomados na luta contra esse mal.
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que, no Brasil, há uma simbiose de conveniência política e identidade de pensamento, a qual, muitas vezes, favorece o dogma em detrimento da coesão social. De fato, percebe-se que, na atual conjuntura, muitos legisladores escolhem ignorar a laicidade o Estado brasileiro em favor de suas crenças religiosas. Por conseguinte, os homossexuais permanecem marginalizados na sociedade e, consequentemente, vulneráveis a toda sorte de violência física e preconceito, já que prática da homofobia ainda não foi criminalizada.
À vista disso, destaca-se o papel da escola na luta contra a discriminação ao público LGBT. Isso porque, além da simples exposição de conteúdo, é seu dever preparar o aluno para a vida no coletivo, nas relações pessoais e profissionais. Aliás, Paulo Freire já falava numa “cultura da paz”, evidenciando o papel da educação na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente, a tolerância. Logo, o pensamento do educador comprova que as instituições de ensino precisam trabalhar o tema dentro e fora de sala, combatendo o preconceito entre os alunos e dos próprios responsáveis com os estudantes.
Fica clara, portanto, a necessidade de se discutir a questão e o papel do Estado e da escola nessa luta. Primeiramente, é mister que o Poder Legislativo criminalize a homofobia, em curto prazo, com propósito de punir de forma adequada os crimes de ódio. Em consonância, a escola precisa chamar alunos e responsáveis ao debate e, por meio de reuniões em grupo e palestras, buscar desconstruir o preconceito, não apenas no ambiente estudantil como também no familiar, com a finalidade de combater a violência e a discriminação no país. Assim, o Brasil poderá caminhar em direção a uma sociedade mais tolerante, igualitária e coesa.