Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 21/03/2018

As relações culturais e a homofobia no Brasil

Adolf Hitler, ao adotar medidas segregacionistas contra homossexuais na Alemanha nazista em 1933, como criar mecanismos de diferenciação de gênero, cor e etnia, e submeter os indivíduos a torturas e experimentos médicos por conta de suas opções sexuais, instaurou o preconceito de forma institucional. Sob esse ângulo de analise, ao comparar o Estado germânico ao brasileiro, identifica-se um forte traço de homofobia presente na contemporaneidade do Brasil, responsável por ceifar e dificultar a vida de indivíduos por conta de sua opção sexual. Nesse sentido, é pertinente analisar por que a orientação sexual do cidadão se configura como fator de discriminação, e avaliar como essa ação violenta se perpetua no ambiente social coletivo.

Zygmunt Bauman, ao citar em sua obra ‘’Modernidade Liquida’’ que: ‘’uma das formas de enfrentar a alteridade do próximo é vomitar, cuspir os outros vistos como incuravelmente estranhos e alheios, impedir o contato físico, o diálogo, a interação social’’, entende o ato da segregação, como uma necessidade inconsciente do homem enquanto ser social em eliminar aqueles que não se enquadram no perfil preestabelecido pelo meio coletivo em que vive. Sob esse aspecto sociológico, observa-se que a aversão, influenciada por uma cultura machista, sexista, derivada de forma frequente por um pensamento religioso, gera discriminação, seja na forma de agressões, verbais ou físicas, pela opção sexual escolhida pelo oprimido.

De modo análogo a esse fato social, no Brasil, cerca de 60% das vítimas são jovens, e grande parte dos agressores são conhecidos ou da própria família, segundo dados da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Em consonância com esses dados, o desprezo ao homossexual está presente em diversos ambientes, o que dificulta a identificação e a punição dos agressores. Portanto, e imprescindível buscar a conscientização através da educação, a fim de combater a intolerância e a homofobia, e promover uma sociedade mais justa e igualitária. Assim, o Estado não deve apenas punir os ofensores, mas também conscientizar o quão nociva a homofobia e para o convívio social.

Parafraseando o filósofo francês Voltaire, a lei essencial da natureza do convívio humano é a tolerância, uma vez que temos uma porção de erros e fraquezas. Partindo da máxima do autor, a participação de protagonistas que tenham grande influência sobre a sociedade para promover um ideal mais tolerante é essencial. Nesse sentido, o Estado deve promover políticas que visem evitar os impactos da discriminação sexual em instituições educacionais, abrindo o espaço para debates entre alunos, professores e coordenadores.