Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 27/03/2018

A caça à purpurina

Segundo Émile Durkheim, um dos célebres sociólogos do século XIX, a sociedade pode ser comparada a um “organismo vivo” por apresentar funcionalidade integrada. Hodiernamente, esse organismo tende a enfrentar um problema alarmante, a homofobia. Nesse contexto, há dois pontos que não podem ser negligenciados, como a não criminalização da homofobia dentro do cenário brasileiro, responsável por nutrir essa adversidade. Além disso, há o desrespeito e pejorações feitas pela mídia digital, desvalorizando e ridicularizando a imagem dos homossexuais.

Em primeira análise, é fundamental pontuar que o descaso e a desconsideração do governo em penalizar a homofobia é um fator conjuntural que nutre esse problema. Nesse contexto, a impunidade provoca o gradativo aumento das agressões contra os homossexuais, os quais se tornam desamparados pela ausência de leis que a segurem seus direitos. Como resultado, segundo dados disponibilizados em 2017 pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), delatam a morte de 6882 LGBTs entre os anos de 1970 até 2017. Apenas em 2016, ocorreram 343 assassinatos aos LGBTs, levando a um índice de 1 LGBT agredido ou morto a cada 25 horas.

Ademais, é indispensável destacar ainda, que a impunidade seja o maior nutridor dessa adversidade. Dentro do território brasileiro, ressalta-se o desrespeito e pejorações feitas pela mídia digital, a qual pode acarretar na desvalorização, ridicularizarão ou até mesmo incentivando a agressões sobre os homossexuais. Destacando-se o exemplo do jogo norte-americano, Street of Rage 3, de 1994, onde o jogo orienta o jogador a satirizar e agredir um grupo de homossexuais, denominando-os de “sweet boys”. Diante disso, percebe-se a necessidade de uma remodelação nas configurações sociais, valendo-se da teoria do filósofo pré-socrático, Heracles de Éfeso, “tudo que nos cerca está em constante mudança”.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar o problema. É essencial que o governo e a mídia se remodelem. Por tudo isso, há a necessidade uma intervenção, a qual proponha a criminalização da homofobia, sendo executada pelos Direitos Humanos, seguindo suas diretrizes, assim, possibilitando o amparo aos homossexuais e LGBTs em geral. Além disso, é essencial que haja uma remodelação na estrutura da mídia digital, proporcionada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), valendo-se a teoria de Heracles. Em síntese, com tais medidas materializadas, o “organismo vivo” de Durkheim será integrado a uma sociedade coesa e justa.