Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 27/03/2025

Na série “A primeira vez”, o personagem Gustavo Pabón sofre preconceito e agressão física na escola por ser homossexual e, por isso, acaba saindo da escola e se mudando com sua família para outra cidade. Análogo a ficção, grande parte da população brasileira enfrenta as mesmas situações do personagem, oriundas, muitas vezes, do conservadorismo religioso e dos padrões heteronormativos. Por isso, a homofobia em questão no Brasil deve ser debatida junto à sociedade.

De fato, o conservadorismo religioso é um grande obstáculo no enfrentamento à homofobia. Sobre esse aspecto, é válido lembrar que, há séculos atrás, os homossexuais eram queimados em fogueiras pela Santa Inquisição, pois a prática da homossexualidade sempre foi contrária à fé católica. Hoje, apesar dessa crueldade não ser mais executada pelo catolicismo, atos de violência física, verbal e psicológica, continuam sendo praticados contra homossexuais, muitas vezes fundamentados em discursos de diferentes segmentos religiosos, que, infelizmente, ainda encontram dificuldade em respeitar os direitos desse público.

Outrossim, o combate à ideia de que os padrões sociais heteronomativos devem ser seguidos por todos, desempenha um importante papel na luta contra à homofobia. Sob esse viés, é válido dizer, inclusive, que a homossexualidade já foi considerada uma doença, e como resultado disso, o público em questão foi colocado como anormal. Sobre isso, cabe rememorar que em 1990, a OMS (Organização Mundial da Saúde), deixou de considerar a homossexualidade como uma doença, apesar disso, uma significativa parte da população brasileira ainda atrelada à homossexualidade a uma doença a ser curada, demonstrando a necessidade de reverter essa infeliz realidade.

Portanto, o Estado, responsável por garantir o bem-estar da sociedade, deve promover campanhas ressaltando a laicidade do Estado e criar políticas públicas, por meio da implementação de programas voltados para às escolas, com cartilhas educativas para alunos e professores. Essa ação objetiva amenizar as violências a que esse grupo fica exposto e romper com visões equivocadas em relação à orientação sexual de cada indivíduo. Assim, casos de homofobia não ultrapassarão mais a ficção, como representado com o personagem Pabón.