Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 14/08/2018
O filósofo grego Sócrates já afirmava, na Antiguidade, que é virtuoso aquele que busca consumir só o necessário. No entanto, até hoje, apesar de todo o conhecimento a respeito dos prejuízos socioeconômicos e ambientais, causadas por gastos desenfreados de recursos, ainda é possível perceber uma forte lógica consumista, que só tende a crescer. Nesse sentido, faz-se necessário analisar não só as razões do consumo problemático no século XXI, mas também os impactos ambientais gerados por essa situação.
A princípio, convém destacar as causas do pensamento consumista. Nesse viés, é indubitável que o modelo capitalista, predominante no mundo, é um dos grandes responsáveis para a existência de tal. Isso porque, esse sistema econômico, que se baseia no lucro, utiliza-se de mecanismos para estimular o consumo frequente e desnecessário. Exemplo disso, são os artifícios da obsolescência programada, que faz os produtos parecerem ultrapassados rapidamente, e da Indústria Cultural -conceito proposto pelo sociólogo Adorno- no qual a mídia, por meio de propagandas, cria vontades semelhantes e padrões de consumo que são compartilhados por grande parte da população.
Como consequência disso, observam-se, hoje, diversos impactos ambientais que prejudicam tanto a própria natureza quanto os seres humanos. Tem-se, primeiramente, a enorme quantidade de resíduos sólidos produzida, que, em geral, não recebe o tratamento devido e acaba por ser despejada irregularmente, gerando contaminação de solos e de corpos d’água em virtude do chorume e das substâncias tóxicas que contém. Ademais, há também o impacto promovido pelas indústrias, que utilizam a queima de combustíveis fósseis para gerar energia e, assim, liberam para a atmosfera gases nocivos como dióxido de carbono, de enxofre e de nitrogênio. A partir disso, desencadeiam-se vários efeitos no meio ambiente, como o agravamento do efeito estufa -com reflexo nas mudanças climáticas-, a acidificação dos oceanos, as chuvas ácidas, a rarefação da camada de ozônio e outros.
Torna-se evidente, portanto, que há impactos ambientais promovidos pelo consumismo e medidas são necessárias para mitigar a situação. É dever do governo, por meio do MEC, distribuir nas escolas cartilhas e kits educativos que tratem sobre a importância do consumo consciente e da sustentabilidade para a manutenção dos recursos do planeta. Além disso, deve promover debates e palestras que envolvam ambientalistas, pedagogos e sociólogos e que trabalhem a desconstrução do pensamento consumista, apresentando também, aos estudantes, a política dos 3Rs -reciclar, reduzir e reutilizar-. Tudo isso para que seja possível educar ambientalmente, desde as séries iniciais, e, assim, formar jovens mais cuidadosos com o planeta, e mais seguidores do pensamento socrático.