Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 09/10/2018

Na sociedade do século XXI, os templos religiosos são os shopping centers. Com pisos brancos e deslizantes, a ausência de relógio para não se ver o tempo passar e as redes formadas pelas escadas rolantes, o conceito de “deus Mercado” se materializa: o mercado é aceito como sinônimo de sacralidade e os consumistas fazem dele sua religião. Por meio de estéticas e odores agradáveis, as lojas atraem os indivíduos pelos sentidos, os quais se submetem ao consumo desenfreado e à própria coisificação, assim como retratado no poema “Eu, Etiqueta” de Carlos Drummond de Andrade.

Em contraposição, o meio ambiente sai prejudicado na complexidade desse sistema do consumo. Sabe-se que esse se tornou um problema mundial e que vem sendo discutido em conferências e formando acordos como o Protocolo de Kyoto. No entanto, com a hipermodernidade, conceito apresentado pelo filósofo Gilles Lipovétsky, a sustentabilidade saiu prejudicada. Isso, pois, a mesma está atrelada ao hiperindividualismo e hiperconsumismo - ao tentar se reafirmar como ser existente na fluidez da sociedade, o sujeito está sempre em busca do consumo. A máxima de Descartes se modifica de “penso, logo existo” para “compro, logo existo.”

Nesse sentido, a sociedade hipermoderna enfrenta os impactos ambientais causados pelo consumo. A exemplo disso, estão os carros e outros automóveis: apenas a queima de combustíveis fósseis já causa danos ao meio ambiente como a poluição atmosférica, a inversão térmica, a chuva ácida, o efeito estufa e destruição da camada de ozônio. Ainda assim, em muitos países, principalmente nos emergentes, os indivíduos são sucumbidos à compra de carros pela propaganda e ao discurso que a ela está atrelado, como promessas de sensação de poder e liberdade, de modo a rejeitar o uso de transportes públicos.

Visto que a hipermodernização coisificou o indivíduo e que, por conseguinte, acarretou implicações maléficas ao meio ambiente, entende-se que medidas sustentáveis devem ser aplicadas. Para isso, cabe ao poder Legislativo, por meio do Ministério do Meio Ambiente, a idealização de leis que culminem na melhor informatização dos consumidores acerca dos impactos que os produtos que consomem causam ao meio ambiente, de modo a tornar obrigatória essa informação nas etiquetas. Sendo assim, as pessoas poderão consumir de forma mais consciente e fazer-lo-ão de modo sustentável. Ademais, a comunidade deve idealizar movimentos sociais com o propósito de cobrar de suas respectivas prefeituras melhoras no transporte público, para que esses atendam toda a população com qualidade e para diminuir a emissão de gases poluentes. Sendo assim, os impactos ambientais poderão ser mitigados perante ao consumo.