Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 21/10/2018

Consumo e produção conscientes

A Agenda 2013, plano de ação adotado pelos países integrantes da ONU, visa em seu Objetivo para o Desenvolvimento Sustentável 12 (ODS 12) consumo e produção consciente para alcançar-se um mundo ambientalmente sustentável. O Brasil, entretanto, mesmo tendo assumido tal compromisso ainda atua de forma tímida e pouco assertiva para colocar o referido objetivo em prática. Logo, poder público e coletividade devem engendrar ações objetivando efetivar o ODS 12.

Um dos impactos do consumo sem criticidade é a produção de lixo. Nesse sentido, o sociólogo Bauman afirma que  o homem contemporâneo acredita que pode realizar seus desejos através da compra. Nessa perspectiva, a indústria do consumo, por meio da prática de obsolescência programada -atualização constante dos seus produtos- impulsiona o indivíduo a possuir novos desejos, ou seja, novos produtos, visto que àqueles que já foram suficientes outrora não lhes agrada mais. A grande problemática dessa lógica capitalista é o destino do produto antigo que, no geral, é destinado para lixões, o qual não possui controle nem da emissão de gases poluentes, como o CO2, nem do chorume que penetra no solo contaminando os lençóis freáticos, prejudicando, dessa forma, o meio ambiente.

Sob outra óptica, está a exploração dos recursos naturais para a produção dos produtos, em especial da água, presente em praticamente todos os processos produtivos. Como exemplo do uso excessivo de tal recurso, tem-se a fabricação do “Iphone”, o qual possui uma pegada hídrica, toda a água utilizada na sua produção, próxima de 13 mil litros por unidade, segundo dados do Greenpeace. Considerando que essa fonte natural é finita e que o consumo desse tipo de produto que confere status cresce na atual conjuntura de consumo incessante, é no mínimo óbvio que em certo ponto tal recurso não estará mais tão disponível. Desse modo, é imprescindível salvaguardar esse bem fundamental para  a humanidade.

Urge, portanto, que o Ministério do Meio Ambiente, de início, atuar, a partir de aporte financeiro, com as Prefeituras para efetivar a Política Nacional de Resíduos Sólidos sancionada em 2010 e que prevê a substituição dos lixões por aterros sanitários, os quais possuem emissão de gases e chorume controlados. Em seguida, o mesmo órgão deve conceder isenção fiscal para empresas que promovam uma logística reversa, instrução à população de descarte adequado do produto de modo a viabilizar a reutilização do mesmo. Ademais, cabe às ONGs e escolas, promoverem debates sobre a exploração dos recursos naturais objetivando conscientizar toda a população sobre a pegada hídrica dos produtos, explicar a nocividade do consumo sem criticidade e estimular o uso de produtos das empresas que explorem menos meio ambiente. Assim, o Brasil promoverá um consumo e produção conscientes.