Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 19/10/2018
O período conhecido como entreguerras é notório pela ascensão da influencia cultural norte-americana. Pautado no consumo, o estilo de vida estadunidense passou a reger os padrões de produção em escala global. Nessa conjuntura, são notáveis os reflexos negativos ao meio ambiente, os quais são propiciados pela atual lógica de mercado e pela deficiência das políticas públicas.
A princípio, destaca-se que a contemporânea produção industrial não é pautada pela sustentabilidade. Isso ocorre porque o setor produtivo, por meio de campanhas publicitárias, incentiva o consumo de produtos, o que eleva a demanda por matéria-prima e pode estimular o descarte irregular de bens, uma vez que nem todas as empresas oferecem serviço de coleta de resíduos. Nesse aspecto, o sociólogo Bauman assevera em sua obra “Vida para consumo” que a atual economia consumista propicia a circulação de dinheiro entre pessoas e de produtos para o lixo. Assim, a atual lógica produtiva estimula consumo exacerbado de recursos naturais, além de propiciar a poluição ambiental.
Por conseguinte, elevam-se as problemáticas socioambientais, as quais são agravadas pela tênue atuação governamental. Isso ocorre a partir da insuficiente fiscalização de companhias que, objetivando minorar despesas, lançam efluentes em cursos d’água ou não investem em infraestrutura de retenção adequada, como ocorreu com a empresa Hydro Alunorte, a qual despejou resíduos em rios do Pará. Essa perspectiva é incompatível com os objetivos firmados na “Agenda 2030”, documento no qual o Brasil e demais países integrantes da ONU comprometem-se a promover padrões de consumo e produção sustentáveis, os quais incluem o manejo responsável de produtos químicos.
Evidencia-se, portanto, que são necessárias ações para reverter esse quadro de degradação. Para isso, é necessário implantar a coleta seletiva de itens usados -mormente os que contenham metais pesados-, por meio da instalação pelas prefeituras de pontos de coleta em prédios públicos municipais, com o fito de reduzir o descarte irregular, evitando a contaminação do ambiente. Ainda, as secretarias estaduais de meio ambiente devem ampliar a fiscalização, mediante a realização de testes laboratoriais de qualidade de solo, água e ar nas proximidades das empresas, objetivando identificar irregularidades e prevenir contaminações em larga escala. Dessa forma, os objetivos pautados no desenvolvimento sustentável, que foram assumidos pelo Brasil com a ONU, poderão ser concretizados.