Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 20/09/2019
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito dos impactos ambientais advindos do consumismo. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente aos hábitos consumistas desenvolvidos no seio familiar, mas também a prática antiética do descarte incorreto de lixo.
Em primeira análise, pontua-se a presença de hábitos consumistas no meio familiar como precursores do agravamento da situação. De acordo com a teoria da tábula rasa, de John Locke, “o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências”. Nesse sentido, o filósofo ratifica a importância que os pais possuem no desenvolvimento e na transmissão de valores socioculturais aos descendentes, sobretudo no âmbito comportamental. Em virtude disso, os responsáveis pela criança precisam entender que ao cultivarem hábitos consumistas no núcleo familiar possibilitarão a formação, naturalização e a reincidência desses, por parte da criança, no meio social. Afinal, de acordo com o filósofo Rousseau, o ser humano é um produto do ambiente em que vive.
Outrossim, a ação antrópica contribui para a acentuação da problemática. A 3ª Lei de Newton assegura que para toda ação, há uma reação contrária de mesma intensidade. No contexto do tema apresentado, o comportamento humano provoca reações em cadeia que trazem consigo adversidades à sociedade e ao ecossistema. Em síntese, o descarte incorreto de lixo proporciona a formação de problemas socioambientais, tais como alagamentos nas grandes cidades e poluição. Posto isso, medidas devem ser tomadas com o intuito de reverter essa realidade, para que, consoante a máxima do filósofo alemão Hans Jonas, o homem e o efeito de suas ações não comprometam a vida das futuras gerações.
Logo, para que o triunfo sobre os impactos ambientais causados pelo consumismo seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova a criação e difusão de campanhas publicitárias, de modo a desconstruir os hábitos consumistas arraigados na mentalidade da sociedade. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a apresentação de estatísticas e pesquisas científicas, caracterizadas por uma linguagem objetiva, com o fito de facilitar o entendimento social acerca do assunto. Ainda assim, parte da verba deverá ser aplicada na distribuição de cartilhas com o objetivo de informar à população a respeito dos males causados pelo descarte incorreto de lixo. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.