Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 31/03/2020
A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More retrata um campo social isento de problemas. Fora da ficção, o padrão de consumo impulsionado pela baixa durabilidade e ampla variabilidade dos produtos influencia a progressão de uma sociedade consumista, e consequentemente, grandes impactos ambientais, que podem ser associados á obsolescência programada e ao descarte inapropriado dos resíduos. Nesse sentido, convém analisar as consequências do consumo ao meio ambiente.
Primeiramente, é importante destacar que a visão de consumo construída pelo modelo produtivo “Toyotismo” durante a Segunda Revolução Industrial, persiste no campo hodierno, intensificado após a Terceira Revolução Industrial e a inovação das tecnologias. Anualmente, cerca de 129 mil toneladas de resíduos são acumulados em Gana, fazendo com que essa região ficasse conhecida como “o lixão do mundo”. Por consequente, a contaminação do solo, água e ar por substâncias tóxicas emitidas pelas placas dos aparelhos são desencadeadores de chuvas ácidas, aumento do aquecimento global e crise no abastecimento hídrico, comprometendo a saúde de pessoas, animais e vegetais.
Ademais, o descarte adequado e coleta seletiva não é uma realidade de toda população, o que acarreta no surgimento de lixões e poluição da água. O depósito a céu aberto de lixo tem como resultante da exposição do lixo o chorume, substância tóxica que contamina o solo e lençóis freáticos, produz mau cheiro e atrai animais como ratos que podem ser vetores de doenças que afetam o ser humano como Leptospirose. Destarte, o documentário “Oceanos de Plástico” retrata a realidade do ambiente aquático e revela que em 2050 haverá mais plástico do que peixes nos mares e oceanos, o que gerará a morte da flora e fauna aquática, impacto direto na produção de oxigênio além de tornar água potável um recurso cada vez mais escasso. Essa situação é reflexo de séculos de falta de educação sustentável, reafirmando o pensamento do filósofo Immanuel Kant: “O homem é aquilo que a educação faz dele” sendo assim, imprescindível a ação e conscientização de todo o corpo social.
Portanto, é notória a problemática vigente e sua urgência. Cabe ao Governo Federal em conjuntura ao Ministério do Meio Ambiente promover ações de instrução á população sobre a coleta seletiva e incentivo a substituição de sacolas plásticas por materiais recicláveis. Outrossim, o Ministério da Educação deve atuar através de palestras no meio escolar e acadêmico explicitando os impactos dos resíduos e da obsolescência dos produtos bem como os benefícios da sustentabilidade, a fim de que, o homem moldado na educação brasileira seja mais consciente. Dessa forma, o mundo idealizado por More se torna mais possível.