Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 26/11/2020
A sociedade vem cada vez mais usufruindo de bens materiais e, devido a isso, constantemente, vai aumentando-se a quantidade de lixo produzidas pelos mesmos. Nesse viés, quando há uma produção em excesso e não tem um processo de descarte e despejo desses resíduos, como ocorre no Brasil, o que se passa é um cenário de extremos impactos ambientais. A respeito dessa problemática, pode-se citar a negligência estatal e o consumismo da sociedade.
Em primeiro lugar, o Estado brasileiro, infelizmente, não cumpre o seu papel de responsabilidade para com o meio ambiente, haja vista os pífios investimentos em políticas de coleta seletiva, bem como a presença de inúmeros lixões no país. Essa situação, além de impactar a natureza por meio de contaminações da água e do solo, cria um descaso com a própria legislação nacional, que prevê, com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a obrigação do fim dos lixões em todos os municípios brasileiros. Dessa forma, a negligência do Estado referente ao lixo, fora o fato de ser ilegal, é um fator determinante para a permanência de problemas ambientais no país.
Além disso, o aspecto cultural do consumismo na sociedade brasileira também é um agravador dessa triste realidade, pois, calcado na falsa ideia de felicidade (representada na animação “Happiness”, de Steve Cutts), o consumo material tem sido cada vez mais almejado pelo brasileiro.Soma-se a esse fato a falta de responsabilidade que muitas pessoas têm no momento após o descarte, ou seja, elas não enxergam seus lixos como algo que pode afetá-las diretamente, facilitando o descarte inadequado. Assim, a indiligência social não apenas aumenta a produção de resíduos, mas também dificulta a aplicação de políticas que buscam reduzir impactos ambientais.
Destarte, urge que os Governos Municipais, por meio do cumprimento da PNRS sob pena de multa, invistam em políticas de erradicação de todos os lixões presentes nos municípios nacionais, bem como construam aterros sanitários nessas mesmas regiões, para que hajam reduções dos impactos ambientais e maior promoção pública da sustentabilidade. Ademais, cabe às ONGs e às empresas de coleta seletiva, por intermédio de ações socioeducativas em escolas, residências e praças públicas, realizarem campanhas de coleta de lixo que objetivem reeducar a população tanto no aspecto do consumo quanto da destinação adequada, mostrando os malefícios ambientais da continuidade das práticas sociais referentes aos resíduos sólidos, o que garantirá elevada participação social na busca por um país mais sustentável. Desse modo, será possível a formação de uma nação onde a questão ambiental se torne uma das maiores preocupações tanto do Estado quanto da população.