Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 10/09/2020

Thomas More, filósofo e estadista inglês, em sua obra “Utopia”, relata uma sociedade sublime, a qual se molda de maneira lógica e harmônica. No entanto, a realidade hodierna observada é oposta àquilo que prega o autor, uma vez que os impactos ambientais do consumo no séc. XXI apresentam entraves, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Tal dicotomia se dá tanto por problemas políticos, quanto midiáticos. Diante disso, torna-se essencial a discussão desses aspectos a fim de uma melhor estruturação social.

Inicialmente, faz-se relevante pontuar a atuação ineficiente dos setores governamentais. Pois, segundo o preâmbulo da Constituição Federal de 1988 é dever do Estado democrático assegurar direitos de ordem social e individual, vitais ao bem-estar, entretanto isso não ocorre. Devido a negligência das autoridades no controle de qualidade dos produtos ofertados no mercado nacional, tornou-se prática comum o uso da obsolescência programada. Aquecendo assim a economia por aumentar o consumo, porém trazendo diversos danos ao meio ambiente como: o aumento da emissão de gases estufas, extrativismo exacerbado de matérias primas e excesso de lixo não reciclável. Desse modo, urge que tal postura estatal sofra reformulações.

Ademais, é imperativo ressaltar a indústria cultural como fomentadora do dilema. Uma vez que, segundo Theodor W. Adorno a mídia contorna-se à o sistema capitalista, tendo como objetivo final o lucro. Tal teoria é evidenciada pelo uso massificante de propagandas e influência exercida pelos meios midiáticos hipermodernos, que não procuram ou estimulam no espectador qualquer tipo de pensamento crítico àquilo visto, valendo-se da máxima “Quem pensa, não compra”. Tendo como ideal pessoas apáticas e exauridas da rotina monótona que buscam no entretenimento uma forma de descanso na qual são potenciais consumidores e ao mesmo tempo produto. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o mau uso das ferramentas midiáticas colabora nessa perpetuação deletéria.

Portanto, com o intuito de mitigar o impasse, necessita-se que o Presidente da república como chefe de Estado, apresente à o congresso um plano para modernização das relações consumistas na sociedade, que atuará em duas frentes: primeiro criar-se-á leis rígidas para o controle da obsolescência que ofereçam benefícios à empresas que respeitam o consumidor e meio ambiente, posteriormente deve se usar das mesmas armas (mídia) para se criar um pensamento coletivo a cerca do melhor uso dos recursos naturais e práticas sustentáveis como a compra consciente e uso devido de todos os bens. Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o efeito infesto do problema, e a coletividade dará um passo em direção à Utopia de More.