Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 02/10/2020
A Revolução Industrial do século XVIII inovou na forma de produzir, aumentando vertiginosamente a demanda por produtos industrializados nos séculos seguintes, sem no entanto haver preocupação com a destinação dos resíduos gerados pela produção. Nesse sentindo, no Brasil do século XXI, a crescente e desregulada geração de resíduos sólidos é um fator prejudicial ao homem, tanto em questões sanitárias quanto econômicas. Nesse contexto, o descarte incorreto do lixo eleva o nível de constituintes tóxicos nos recursos naturais disponíveis aos seres humanos, além de aumentar o custo da produção industrial.
Em primeira análise, é preciso destacar que os resíduos mal geridos podem poluir o meio ambiente com resíduos tóxicos, como mércurio, níquel e cobre, que são elementos químicos nocivos aos seres vivos. Segundo Sergio Linhares, biólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o descarte de metais pesados na natureza pode causar o fenômeno da magnificação trófica, o qual eleva a concentração de constituintes tóxicos quanto maior for a posição do indivíduo na cadeia alimentar. Nesse sentido, como o homem ocupa o topo das cadeias alimentares a que pertence, ele é o ser que consome a maior quantidade de metais pesados descartados nos recursos naturais, acarretando em doenças ao organismo humano, como danos ao cérebro e pulmões, devido o consumo de mercúrio.
Ademais, faz-se necessário salientar que o descarte incorreto dos resíduos dificulta o reaproveitamento deles na cadeia produtiva, aumentando os custo de produção industrial. Segundo a Associação Brasileira de Catadores de Alumínio, a produção de latas de alumínio a partir de material reciclado consome apenas 5% da energia necessária para a produção da mesma quantidade de latas de material não reciclado, economizando o equivalente a um ano de energia para 7 milhões de brasileiros. Entretanto, segundo a Revista Galileu, apenas 3% do lixo do Brasil é reciclado, o que comprova que o alto custo de produção industrial no Brasil é derivado, em grandes partes, pela má destinação dos resíduos sólidos, os quais não sofrem a logística reversa, que seria o retorno, após a obsolência do produto, a cadeia produtiva.
Desse modo, torna-se necessário criar medidas que incentivem o correto descarte do lixo. Assim, o Estado deverá criar programas governamentais, que baseados na economia energética gerada com a reciclagem de resíduos sólidos, concedam aos cidadãos brasileiros descontos nas contas de energia elétrica, o que por sua vez irá estimular o descarte correto do lixo e a preservação do meio ambiente. Somente com tais medidas, pode-se construir uma sociedade moderna, em que o descarte correto de resíduos será harmônico com o modo vida e produção das sociedades vigentes.