Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 04/10/2020

No livro distópico dos anos 80, “Não verás país nenhum”, de Ignácio de Loyola, Souza, narrador-personagem, relata o caos que poderá vir a ser o Brasil diante da ação insustentável e consumista do homem. Assim, perante as frequentes catástrofes naturais oriundas da degradação do meio ambiente, torna-se urgente a busca por sustentabilidade que afaste do país as possíveis consequências descritas na obra.

É importante, de início, salientar que, sobretudo a partir da 1ª Revolução Industrial, consolidou-se um modelo econômico baseado no consumismo e degradação ambiental sem precedentes. De fato, preservar os recursos naturais não é prioridade do capitalismo, pois, mediante uma sociedade midiaticamente alienada, o que importa, de acordo com Zygmunt Bauman, é consumir, porque “não é a personalidade que define o ser, mas sim, o que ele consome”. Nesse sentido, são óbvias as consequências de uma sociedade insustentável: extinções de espécies, enchentes, secas prolongadas, poluição e esgotamento da natureza.

Diante desse panorama, os impactos ambientais evidenciam o preço do falso desenvolvimento. Com efeito, o rompimento das barragens de rejeitos da empresa Vale no estado de Minas gerais, Brumadinho e Mariana, a seca em são Paulo, a qual gerou racionamento de água, as enchentes e desmoronamentos nos grandes centros, queimadas no Pantanal devido à longa e incomum estiagem e o desmatamento na Amazônia, que cresce a cada ano, mostram o quanto o país está se aproximando do Brasil distópico do livro de Loyola. Logo, é indispensável a mudança de comportamento perante o uso dos recursos naturais, buscando a tão discutida sustentabilidade, a qual teoriza sobre um desenvolvimento pautado no atendimento das necessidades das gerações presentes sem comprometer as futuras.

São evidentes, portanto, os impactos ambientais gerados pela ação antrópica. Sendo assim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente investir em projetos de educação ambiental, os quais permitam, por meio de palestras, aulas e propagandas, mostrar a comunidade e alunos a importância de conservar a natureza e os efeitos devastadores do consumismo, com a finalidade de tornar a relação homem- meio mais consciente e sustentável. Pois, como dizia o filósofo alemão Hans Jonas, “Deve-se agir de tal forma que a máxima de sua ação permita a perpetuação dos seres vivos no planeta”.