Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 09/09/2021
A consolidação do modelo capitalista, após a Guerra Fria, proporcionou, em larga escala, a produção e venda em massa de bens. Este consumo exacerbado vem aumentando em um ritmo acelerado e promove inúmeras consequências para os países. No Brasil, a exploração dos recursos naturais e a obsolescência programada são os fatores decisivos que transformam o consumismo em um dos maiores inimigos do meio ambiente.
Em primeiro plano, é crucial averiguar a dimensão do impacto que o uso de bens naturais pode causar, pois, quanto maior a demanda de produtos manufaturados, maior a demanda de sua produção. Um dos maiores perigos é o “custo invisível” - o quanto se gasta, implicitamente, na confecção de algo - um dos temas centrais do documentário “Cowspiracy”, que exibe inúmeros exemplos desse caso; um deles é o custo de uma calça jeans, que, aparentemente, na lista de itens mais usados para sua produção inclui tecidos, linhas, entre outros, mas o principal - de modo indireto - é a água, tendo em vista que apenas uma peça utiliza cerca de 10.000 litros para chegar ate o produto final, gerando alto impacto hídrico nacional. Nesse sentido, no custo de qualquer produto deve ser levado em conta todos os usos diretos e indiretos de recursos, para que a dimensão dos danos ambientais sejam efetivamente calculados.
Além disso, a imposição de uma curta data de validade dos produtos, sobretudo eletrônicos, aumenta o consumo de modo proposital, em prol de um maior capital financeiro para grandes empresas. Essa estratégia é a mais comum em meios tecnológicos, porque, geralmente, a cada nova geração de aparelho, trocam apenas pequenos detalhes, mudam sutilmente o design e precifica de modo absurdo. Depois de pouco tempo de uso, estes produtos começam a apresentar diversos defeitos, que obrigam os consumidores a descartarem indevidamente os antigos e adquirirem novas peças, ficando reféns dessa prática. Ao acabar a data de validade de um aparelho, o indivíduo compra outro, possivelmente da mesma marca, e isso se torna um ciclo que poderia ser evitado, pois esse prazo de funcionamento existe somente para beneficiar a elite econômica, contribuindo para o acúmulo exacerbado, geração de muito lixo e impactando altamente o ambiente.
Portanto, a degradação ambiental está intimamente ligada ao consumismo atual, gerando resíduos em excesso e intensa exploração dos recursos naturais brasileiros. Nessa ótica, é mister que o governo federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente, promova uma rígida fiscalização dos recursos naturais, impondo limites e cobrando-os ativamente, a fim de atenuar a exploração de determinadas áreas. Ademais, as empresas devem criar mecanismos de reciclagem de aparelhos ou produtos antigos, para minimizar o descarte indevido e, consequentemente, o acúmulo de lixo.