Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 03/12/2020
A película estadunidense Wall-e, produzida pela Disney Pixar, retrata, de maneira distópica, o planeta Terra inabitável pelo excesso de detritos derivado do alto consumo. Analogamente, fora das telas, tal realidade não parece afastar-se das previsões ecológicas mundiais: O elevado incentivo à compra pelas empresas fazem dos humanos predadores de seu próprio habitat. Nesse sentido, seja pela exacerbada obsolescência programada mercadológica ou pela incipiência estatal em gerir os detritos, a elevada propensão à aquisições hodiernas mostra-se nociva à natureza e, por isso, requer cuidados.
Previamente, é relevante salientar a baixa durabilidade dos produtos atuais. À medida que a Crise de 1929 instituiu-se, a necessidade reformulação da produção foi instaurada, promovendo a ascensão do modelo de confecção Toyotista e a pouca resistência dos objetos. Assim, a metodologia de fabricação dos artigos repercute um baixo tempo útil de manuseio, promovendo a carência de aquisições no futuro e, consequentemente, também o descarte de velhos artifícios. Dessa forma, a emissão de gases poluentes é fortificada, visto a alta produção das fábricas, e a utilização de lixões torna-se massiva, pondo em dúvida a capacidade planetária em lidar com o ritmo corporativo. Prova disso é o agravamento do aquecimento global, que segundo a Organização das Nações Unidas, deriva principalmente de poluentes das fábricas. Logo, mudar o ritmo de mercado faz-se crucial.
Ademais, a pobre ingerência governamental em lidar efetivamente com os descartes resulta em impasses ecológicos mais graves. Conforme há uma supremacia mundial de lixões e não aterros sanitários, a contaminação do lençol freático e a produção de substâncias tóxicas para o meio ambiente é alarmada. Outrossim, a ausência de coletas assistidas em várias regiões do globo resultam em áreas extremamente poluídas e propensas à doenças. Sob essa ótica, a obra literária “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, elucida as consequências da baixa coleta de resíduos na cidade do Rio de Janeiro, repercutindo em condições insalubres de existência. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Logo, a atenção estatal aos detritos é essencial.
Portanto, medidas são indispensáveis para evitar a degradação ecológica. Nesse viés, a estipulação de normas básicas para produção às empresas e um tempo mínimo para durabilidade dos produtos, por meio de uma ação da Organização Mundial do Comércio, é imperioso a fim de diminuir a obsolescência. Para isso, impostos devem ser aplicados à corporações que não seguirem o estipulado. Além disso, a criação de aterros em regiões carentes de acessibilidade sanitária, por meio da parceria entre a Organização das Nações Unidas e os principais blocos políticos - Como o BRICS e a União Europeia - é essencial no intuito de amenizar as doenças. Apenas assim Wall-e não será realidade.