Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 11/01/2021

O filme americano “Wall-E”, retrata um futuro distópico no qual a vida na Terra é impossibilitada pelos problemas ambientais decorrentes da grande produção de lixo gerado pelos seres humanos. Fora da ficção, é notório que o enredo da obra dialoga com a realidade da sociedade brasileira no século XXI, uma vez que toneladas de lixo são descartadas todos os dias, provocando sérios impactos na população. Tal problemática deriva não só do consumo exacerbado, mas também da obsolescência programada.

Diante desse cenário, é inquestionável que o consumo exagerado de bens não duráveis emerge como um fator fundamental para a manutenção dessa conjuntura. A esse respeito, segundo o conceito de Fetichismo da Mercadoria, proposto pelo sociólogo Karl Marx, com o advento da Revolução Industrial, o status gerado pela posse de bens materiais tornou-se mais importante que a subjetividade das relações humanas, o que gera o desejo insaciável de consumir cada vez mais. Paralelamente, é indubitável que essa prática nociva reflete na degradação do meio ambiente brasileiro, visto que, 60% dos problemas de saúde no Brasil são decorrentes de resíduos despejados na natureza pelas indústrias.

Ademais, é válido ressaltar que a prática industrial de fabricar produtos com vida útil reduzida é prejudicial ao corpo social. Nesse sentido, de acordo com o princípio de Ética da Responsabilidade, elaborado pelo filósofo alemão Hans Jonas, é necessário que os recursos naturais sejam utilizados de maneira consciente a fim de garantir a sobrevivência das gerações futuras. Entretanto, é possível considerar que a realidade viola o pacto proposto pelo pensador, dado que a produção excessiva exige uma extração de matéria prima em um ritmo mais rápido do que o planeta consegue repor. Logo, é inadmissível que, em um país com elevadas taxas tributárias, a preservação dos bens ambientais não seja garantida de maneira plena.

Depreende-se, portanto, que medidas fazem-se necessárias para a superação desse impasse. Para a mitigação dos impactos sociais gerados pelo consumo, pois, urge que o Ministério do Meio Ambiente crie, por meio do maior repasse de verbas públicas, programas de incentivo ao consumo consciente. Tais programas contarão com a realização de palestras por biólogos e veiculação de materiais lúdicos nos intrumentos midiáticos de grande influência a fim de instruir acerca dos prejuízos decorrentes da produção de lixo. Dessa forma, realidades como as retratadas em “Wall-E” não serão presentes na sociedade brasileira.