Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 09/06/2021

Segundo a Constituição brasileira de 1988 -documento jurídico mais relevante do país-, em seu artigo 225, todos os indivíduos possuem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, cujo poder público e a coletividade devem preservá-lo. Todavia, a realidade do Brasil transparece ser falha no cumprimento dessa premissa, visto que ocorre um descaso significativo no tocante as questões ambientais, consequente do consumo excessivo do corpo social. Nesse contexto, fatores como a sociedade capitalista e a desinformação devem ser analisados.

Sob tal ótica, é fulcral pontuar acerca da teoria do “Fetichismo de mercadoria”, exposto pelo sociólogo Karl Marx. De acordo com o pensador, é a tendência em adquirir um produto não pelo seu valor econômico, mas em razão de uma pressão imposta socialmente, que incentiva o alto consumo no objetivo de alimentar uma imagem utópica. Análogo ao panorama, depreende-se que esse estilo de vida circula pela mentalidade do brasileiro de modo vigoroso, o que caracteriza quão capitalista é a população. Assim, compras desnecessárias presentes resultam em desperdícios futuros, intensificando impasses como o extraordinário acúmulo de lixo e a subsequente contaminação do solo.

Ademais, a falta de informação da população sobre o meio ambiente é preocupante. Nessa perspectiva, é imprescindível frisar o fato do Ministério da Educação (MEC) ainda não ter incluído na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) uma disciplina que aborde as questões quanto ao consumo exacerbado e seus impactos para com o planeta. Tal iniciativa é de suma importante, pois, parte do corpo civil pensa apenas superficialmente sobre os gastos de um produto, a exemplo do papel, que além das árvores derrubadas, ainda há o custo da água e da energia. Logo, é notório a limitação do senso comum populacional e a importância em conhecer o dinamismo total do que é consumido.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática consumista e ambiental brasileira. Em síntese, importa que o MEC e o Ministério do Meio Ambiente implemente no âmbito escolar oportunidades de aprendizado sobre a sustentabilidade ambiental e a econômica, por meio do acréscimo de uma disciplina à BNCC, em que crianças e jovens serão educados de forma lúdica sobre o respeito ao meio ambiente e consumo  Desse modo, professores usarão jogos, filmes, séries e oficinas criativas como ferramentas para ensinar os alunos, com o fito de discutir acerca da relevância de cuidar do planeta, bem como dos resultados negativos corroborados pelo consumo descontrolado. Por certo, a sociedade será formada por indivíduos mais conscientes sobre seus atos ambientais e de consumo, e o artigo 225 será compartilhado e cumprido pelo corpo social.