Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 15/06/2021

O documentário “Comprar, jogar fora, comprar: a história secreta da Obsolescência Programada”, dirigido por Cosima Dannoritzer, retrata a existência hodierna de um motor que fomenta a descontrolada ascensão do consumismo por meio da proposital redução da vida útil de produtos disponibilizados no mercado de vendas. Assim como na obra cinematográfica abordada, o impasse ocasionado pelo descarte de itens obsoletos perpetua na sociedade, o que corrobora os impactos ambientais negativos acarretados pelo consumo demasiado e incônscio da população mundial. Nessa perspectiva, a fim de buscar medidas para atenuar a problemática, convém analisar as principais consequências relacionadas à ocorrência desse fenômeno.

Frente a esse panorama, deve-se ressaltar as abundantes propagandas espalhadas pelos veículos midiáticos que impõem, ao público-alvo, a ideia de necessidade em obter novas tecnologias para se atualizar. De acordo com a ONG brasileira Ecomarapendi, o consumo em si não é um problema, mas sim, o exagero que está sendo vivenciado na comercialização de bens e serviços, o que leva à exploração excessiva dos recursos naturais e interfere no equilíbrio estabelecido do planeta. Diante disso, a mídia contribui diretamente para o aumento do consumo e no abalo ao equilíbrio ambiental, uma vez que vende não apenas novos produtos, como também, a ideia de felicidade e completude - o que é evidente em todo o território nacional e internacional.

Ademais, faz-se necessário apontar a negligência social na busca para diminuir a impacção ecológica e a redução do lixo residencial. À luz de Richard Rorty, filósofo estadunidense, tem-se a reflexão importante sobre “Que tipo de mundo podemos preparar para os nossos bisnetos?”, pois, se o padrão exacerbadamente consumista do século XXI prosseguir, os níveis de qualidade de vida começarão a diminuir em 2030, caso medidas não sejam tomadas, segundo dados do Portal G1. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar e é preponderante a ação do coletivo para a descensão no uso de recursos naturais e nas aquisições desnecessárias.

Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, é imprescindível que o Governo Federal, por meio de parcerias público-privadas, como o CONAR, fiscalize e controle a venda de mercadorias de baixa qualidade, desenvolva campanhas para a conscientização da população - especificando com clareza, os efeitos desfavoráveis que a continuidade das compras e os descartes inapropriados causarão futuramente no planeta - e passe a filtrar as propagandas na mídia para a transmissão de ideias que propaguem a reutilização e aquisição de produtos sustentáveis. A partir disso, haverá, no futuro, um ecossistema equilibrado e próspero para a continuidade da vida.