Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 24/08/2021

No filme “Wall-e” é retratado um futuro distópico em que, como resultado de uma cultura consumista e de produção irresponsável, o planeta encontra-se inabitável. De maneira análoga, tomado que a narrativa da obra ficcional mostra-se como potencial horizonte da humanidade, coloca-se em pauta os impactos do consumo no século XXI. Diante disso, cabe a análise da estrutura socioeconômica hodierna que propicia o surgimento da problemática, além da observação acerca de suas consequências à saúde e bem-estar coletivos.

Em primeira análise, em consonância com Karl Marx, filósofo moderno, o sistema de produção capitalista é determinante para a compreensão dos fenômenos vivenciados coletivamente, incluindo os de natureza ecológica. Sob a ótica marxista, em sociedades centradas na produção de capital material, comumente, há a subalternização de pautas ambientais — observado que a exploração de recursos naturais é a base de sustentação da cadeia produtiva e de consumo. Nessa perspectiva, remonta-se à Primeira Revolução Industrial destacando o cenário de devastação: poluição dos rios e devastação de florestas virgens, por exemplo. Como consequência desse movimento cultural e econômico, é incutido no imaginário coletivo uma dependência por inclusão na lógica consumista e, simultaneamente, há a adesão ao desprezo pelo discurso de conservação ambiental.

Paralelo a isso, ressaltam-se os impactos da conjuntura social vigente na saúde do biótopo terrestre e também do ser humano. Nesse sentido, em relatório, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que uma em cada quatro das doenças que assolam a contemporaneidade estão associadas às alterações ambientais. Isso posto, tomada a relevância da constatação, para a conservação das espécies — incluindo, fundamentalmente, a humana — é necessária a busca pela difusão de políticas de sustentabilidade, reparação e educação ambiental, já que a problemática está ligada a saúde pública e  manutenção da vida.

Portanto, urge o remodelamento estrutural para a remediação dos impactos ambientais. Assim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em ação intersectorial com o Ministério da Saúde, promover nas Universidades Públicas do país — voltando-se aos cursos de Ciências Políticas e Sociais, Biologia e Engenharia Ambiental— pesquisas quali-quantitativas voltadas ao estudo da superestrutura e infraestrutura que, simultaneamente, criam um ambiente socioeconômica favorável ao surgimento do consumo como mazela social. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas públicas, afirmativas e educativas, capazes de intervir no cenário atual e evitar que distopia retratada na ficção se reproduza na realidade material.