Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 18/10/2021
Desde a revolução industrial, que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII, a humanidade vem consumindo cada vez mais bens materiais e, consequentemente, produzindo elevadas quantidades de lixo. Entretanto, quando essa produção não é acompanhada de ações efetivas de descarte e destinação desses resíduos, como é o caso do Brasil, o que se observa é um cenário de graves impactos ambientais. Nesse sentido, a falta de políticas públicas acrescida da ausência de consciência social, constituem um desafio a ser superado tanto pela sociedade quanto pelo poder público.
Em primeiro lugar, o Estado brasileiro, infelizmente, não cumpre o seu papel de responsabilidade para com o meio ambiente, haja vista os baixos investimentos em políticas de coleta seletiva, bem como a presença de inúmeros lixões no país. Essa situação, além de impactar a natureza por meio da contaminação da água e do solo, cria um descaso com a própria legislação nacional, que prevê, por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a obrigação do fim dos lixões em todos os municípios brasileiros. Dessa forma, a negligência do estado referente ao lixo, além do fato de ser ilegal, é um fator determinante para a permanência de problemas ambientais no país.
Ademais, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, “O problema não é consumir; é o desejo insaciável de continuar consumindo”. Nesse viés, é importante destacar a falta de consciência, por parte da população, em relação ao impacto ambiental causado pelo descarte inadequado de resíduos. De acordo com o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana, mais de 17 milhões de brasileiros não tem coleta seletiva de lixo nas residências e apenas cerca de 4% dos resíduos são reciclados. Assim, a incontinência social não apenas aumenta a produção de lixo, mas também dificulta a aplicação de políticas que buscam reduzir impactos ambientais.
Diante do exposto, é imprescindível que os governos municipais, coloquem em prática o que determina a PNRS e eliminem todos os lixões, bem como construam aterros sanitários para que seja feito o tratamento adequado do lixo. Além disso, em parceria com as empresas de coleta seletiva, devem realizar campanhas socioeducativas de coleta de lixo que objetivem reeducar a população tanto no aspecto do consumo quanto da destinação adequada. Desse modo, será possível a formação de uma nação onde a questão ambiental deixe de ser um desafio e se torne um exemplo de sustentabilidade e preservação.