Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 29/09/2021
Segundo o sociólogo espanhol Manuel Castells, a comunicação de valores e a mobilização em torno do sentido são essenciais. Sob essa perspectiva, torna-se legítima a ascensão das discussões acerca dos impactos ambientais no século XXI e como a sociedade moderna se relaciona com esta problemática através do consumo na atualidade.
A princípio, a sustentabilidade surgiu como a resolução dos desgastes no ecossistema causados pelo ser humano, entretanto, a complexidade que envolve a execução desse movimento se torna vigente no século do consumo: De acordo com o Ibope, cerca de 70% da população não separa o lixo corretamente, e a maioria das áreas suburbanas não possuem equipamentos adequados para tal. Sob esse viés, a lógica de Castells expõe a necessidade dos habitantes em ainda obter uma consciência política para garantir a eficácia do processo de preservação, ademais, faz-se importante ressaltar que a responsabilidade da educação ambiental também é influenciada pelas grandes empresas, principalmente por poder-se considerar o desenvolvimento sustentável como uma estratégia inovadora de marketing, além de que a maioria dos cidadãos não possuem opções de produtos biodegradáveis diversificada na variedade de mercados.
Por conseguinte, é indubitável que os movimentos culturais constroem-se através dos sistemas de comunicação — essencialmente a internet — com o intuito de alcançar a massa popular e, eventualmente, impactar na consciência das pessoas. Em 2020, a Apple iniciou um debate sobre o e-waste, ou “lixo eletrônico”, após anunciar que a empresa iria parar de enviar carregadores e fones de ouvidos nas caixas de seus aparelhos para introduzir uma forma sustentável na marca. Entretanto, a durabilidade desses produtos também foi colocada em questionamento pelos usuários, uma vez que muito curta, gera mais resíduos eletrônicos.
Tendo em vistas os fatos supracitados, faz-se necessário aderir medidas que venham amenizar os impactos ambientais que advêm do consumo no século XXI. Portanto, cabe ao Estado, em figura do Ministério do Meio Ambiente, promover a educação ambiental e separação de lixos nas áreas suburbanas, por meio de verbas governamentais, a fim de viabilizar uma economia reciclável eficiente. Além disso, torna-se vigente o endurecimento das medidas protecionistas já existentes nas grandes empresas, para consolidar o desenvolvimento sustentável e desacelerar os efeitos negativos agravados pela produção de forma ilegal. Somente assim, torna-se possível a perpetuação da visão Castelliana.