Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 08/10/2021
O artigo 225 da Constituição Federal Brasileira assegura como direito o meio ambiente ecologicamente equilibrado, no qual o poder público e a coletividade tem como dever defendê-lo e preservá-lo para presentes e futuras gerações. Entretanto, o corpo social e o Estado - através da cultura do consumo - são responsáveis por gerar diversos impactos ambientais, como o desmatamento e o descarte inapropriado de lixo.
Em primeiro plano, o consumo exagerado na sociedade do século XXI é responsável pela alta demanda e procura de matéria-prima nas florestas brasileiras, capaz de gerar grandes áreas desmatadas nestas e consequentes riscos para diversas espécies. Acerca disso, dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que mais de 3 mil espécies brasileiras de animais e plantas estavam ameaçadas de extinção, cerca de 20% do número total. Além do desmatamento provocado para assegurar o funcionamento de empresas de produção, há também a utilização de diversos animais como matéria-prima, ao fazer uso de lã e couro para fabricação de produtos como roupas, bolsas e sapatos. Dessa forma, compreende-se que a sociedade consumista é agente de um meio ambiente desequilibrado.
Em segundo plano, a excessiva procura por produtos no século atual é capaz de gerar uma grande produção de lixo - frequentemente descartado de forma inadequada - visto que o capitalismo visa o lucro e a constante troca por novas e atualizadas mercadorias, de modo a garantir a circulação do capital. No que se refere a isso, o filme “Wall-E” aborda a história de um robô enviado para a Terra com a função de limpar todo o lixo do planeta, gerado pelos seres humanos. Similarmente, dados de 2020 da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (ABRELPE) apontam que a quantidade de resíduos sólidos urbanos destinados inadequadamente no Brasil cresceu 16% na última década. Esses resíduos, em contato com o meio ambiente, geram gases poluentes e consequente piora no efeito estufa, um grave dano para a natureza.
Assim, a partir do que foi exposto, torna-se evidente que os impactos ambientais gerados pelo consumo no século XXI têm como cerne a negligência do Estado perante leis de proteção do meio ambiente. Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente a melhoria na fiscalização das empresas que exploram diretamente a matéria-prima nas florestas, por meio da criação de uma legislação mais rígida, com o objetivo de preservar a natureza. Essas leis devem assegurar uma significativa redução na exploração de recursos naturais por empresas de produção. Dessa forma, o meio ambiente ecologicamente equilibrado vai, de fato, ser uma realidade no Brasil.