Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 30/10/2021
O pensador Peter Ferdinand Drucker, em seus estudos sobre a administração pública, estabeleceu que uma cidade pode ser considerada eficiente em sua gestão quando promove a sustentabilidade em larga escala. No entanto, ao pensar coletivamente no território brasileiro, o que se verifica é o predomínio da destruição, consequente ao consumo desenfreado e egoísta, subproduto do capitalismo avassalador. Nesse contexto, há de se analisar a mortalidade ambiental proveniente da produção industrial, bem como a falta da noção de pertencimento ao contexto global.
Nesse cenário, as práticas consumistas subtraem as florestas e a biodiversidade, responsáveis pela manutenção da vida no planeta. Consoante a isso, a ética de Hegel estabelece níveis de consciência dos hábitos de compra: primeiro, o consumo verde, depois, o consciente e, enfim, o sustentável. Esse último, portanto, exige um conjunto de ações críticas de tal modo que respeite à capacidade de regeneração da Terra, o que não ocorre na prática, visto que os hábitos industriais predominantes destroem cada vez mais o meio natural. Destarte, enquanto as ações contemporâneas do ser humano forem egoístas e privilegiarem os interesses individuais em detrimento dos públicos, a ética hegeliana não será a realidade da nação verde-amarela.
Ademais, a globalização é responsável pela supremacia de sentimentos de banalização do bem social, no lugar de um pensamento de conservação deste. Sob esse viés, o antropólogo Roberto DaMatta afirma que essa forma de pensar e, consequentemente, de agir advém da ausência da mentalidade de pertencimento à biodiversidade. Isto posto, cabe analisar que não faz sentido essa lógica imperiosa e destrutiva, uma vez que o consumo desenfreado, estimulado pela indústria do capital, necessita do lucro para continuar existindo, enquanto, paradoxalmente, o meio ambiente é degenerado, o que desrespeita a cronologia da própria natureza.
Portanto, são necessárias ações coordenadas do poder público e da sociedade para mitigar essa celeuma. Para tanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente criar campanhas coletivas, por meio de artigos publicitários e anúncios nas redes midiáticas, a fim de produzirem a noção de pertencimento na população brasileira. Tais campanhas devem problematizar o ato de comprar, ao fomentar a criticidade antes de consumir determinado bem, assim como instigar o reaproveitamento dos produtos já adquiridos, o que vai de encontro à propaganda massificada das grandes empresas. Em suma, com tais ações inspiradas na autocrítica consumista, quiçá os estudos feitos por Drucker se tornarão uma realidade possível no Brasil.