Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 14/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, caracterizada pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade brasileira é o oposto ao descrito pelo autor, haja vista que os impactos ambientais do consumo do século XXI - como o aumento da produção de lixo e a maior exploração dos recursos naturais - são cada vez mais expressivos no país, o que se configura como um problema. Nesse sentido, dentre os consolidadores dessa realidade estão a negligência estatal e o silenciamento das instituições de ensino sobre o tema.
Sob esse viés, é imprescindível reconhecer que a baixa atuação governamental no que tange à instauração de uma política ambiental eficiente colabora para que o consumo impacte, cada vez mais, a natureza. Isso ocorre porque, segundo o filósofo Karl Marx, o Estado se preocupa, acima de tudo, em atender o desejo das classes dominantes. Logo, como não interessa à elite a instauração de medidas que reduzam os efeitos negativos da compra desnecessária de bens, os governantes desprezam essa pauta. Sendo assim, uma maior penalização àqueles que fazem uso indiscriminado dos recursos naturais e o estabelecimento de unidades de reciclagem em todas as cidades do país são ações desprezadas, o que só amplifica os impactos do consumo na realidade nacional.
Ademais, a falta de debate nas escolas sobre o tema contribui para que ele perdure no país. Essa situação se dá, porque muitas instituições de ensino brasileiras ainda seguem o modelo de educação bancária - baseado apenas no depósito de conhecimentos - criticado pelo pedagógo Paulo Freire. Com isso, há uma preocupação apenas com a transferência de conteúdos técnicos e problemáticas sociais, como sobre a necessidade consumir de maneira consciente, não são discutidas em sala de aula. Assim, são formados cidadãos que, por não serem ensinados sobre, negligenciam os efeitos que a aquisição desmedida de produtos pode trazer e, por isso, normalizam essa prática, o que só aumenta a produção de lixo e exploração ambiental.
Portanto, fica claro que o descaso governamental e a postura passiva das escolas amplificam as consequências que o consumo trazem para o Brasil. Assim, a fim de reverter essa realidade, o Governo Federal, por meio de um Decreto Federativo, deve estabelecer uma Plano Nacional de Incentivo ao Consumo Consciente para que as pessoas tenham ciência dos impactos que o a compra desnecessára traz e, desse modo, passem a consumir menos. Destarte, esse Plano deve disponibilizar verbas para assegurar que existam unidades de reciclagem do lixo espalhadas pelo país e que uma melhor fiscalização seja feita sobre os recursos naturais, bem como promover uma mudança na Base Nacional Comum Curricular com a finalidade de garantir que o tema seja debatido nas escolas.