Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 13/11/2021

Na primeira década do século XXI, o filme “Wall-e” se propôs a apresentar um planeta terra que, graças ao consumismo deliberado e esgotamento de matérias naturais, passou a se tornar inabitável e coberto por lixo. A partir de uma visão mais real, é de senso comum que, se não monitorado, esses mesmos fatores podem tornar o planeta insustentável para qualquer tipo de vida num futuro recente. Dessa forma, é oportuno discutir como o consumo tomou proporções tão grandes na sociedade moderna, e quais impactos ambientais reais isso trás.

Em primeiro momento, é importante perceber que, resultante da mais recente globalização - como sugerido pelo Geólogo Milton Santos - o mundo é terminantemente conectado, tendências atravessam hemisférios e ondas de consumo são facilmente criadas a partir do modelo mundial quase exclusivamente capitalista. Nunca se comprou tanto e nunca isso foi tão cobrado, seja o mais recente smartphone que torna o atual obsoleto, a peça de roupa que está na moda, ou até  o novo biscoito nas prateleiras, mesmo que isto gere dívidas ao cidadão médio. Prova disso é o estudo realizado pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), onde foi constatado que apenas 31% dos Brasileiros são de fato consumidores conscientes.

Associado a isso está a famosa frase do filósofo Francis Bacon: “Só se pode vencer a natureza obedecendo-lhe”, que se prova real na medida em que, quanto mais se compra, muito mais se produz, e a superprodução acarreta em desperdício, vinda também em grande parte do que é descartado pela população. Os incessantes trabalhos de fábricas  trazem diversas formas de poluição, favorecendo crises climáticas e destruição de ecossistemas. Isso é corroborado pela própria ONU, expondo que mais de 51% do desmatamento mundial nas últimas décadas aconteceu somente no Brasil, a serviço da industrialização, endêmica de lugares onde o consumo só cresce.

Dado esse cenário, fica evidente que existe um grande problema a ser resolvido: a dinâmica mundial do mercado gasta muito mais do que pode devolver, e se uma moderação não for atingida para o quanto é consumido e exaurido, o ponto de não retorno será atingido mais rápido do que se pensa. É imprescindível que o ministério da economia, em sintonia com as mídias socialmente engajadas, oriente a população a partir de palestras mostrando dados estatísticos sobre o consumismo e desperdício, afim  de promover o pensamento crítico e a consciência de mercado, e quem sabe dessa forma, o planeta não estará no caminho para transformar a ficção de “Wall-e” em realidade.