Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 23/10/2017
O homem e seus detritos
Machado de Assis, em seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, diz que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Tivesse ele oportunidade de conhecer o mundo moderno _ consumista, poluído, tóxico _ sentir-se-ia convicto de sua decisão. O homem contemporâneo está afogando-se em seus próprios detritos, mas, ainda acredita que pode relegar as atitudes sustentáveis para o futuro.
A sustentabilidade é uma emergência, a sociedade concorda, porém, não coloca em prática, por descompromisso ou por não saber como. A durabilidade dos produtos que adquirimos influência diretamente na sustentabilidade, porque, reduzir o lixo e os resíduos sólidos dos processos produtivos diminuiria os danos ao meio ambiente e ao homem, já que, são em sua maioria, tóxicos e bio acumuláveis, podendo ser absorvidos pelo ar, água, solo e alimentos.
Conforme reportagem do " O Globo", 2/3 das doenças que chegam ao SUS são consequência da água poluída, porque os resíduos sólidos, principalmente, os que possuem metais pesados, contaminam a água dos rios, mananciais e aquíferos subterrâneos; além do quanto se consome dos recursos naturais nos processos produtivos, causando desequilíbrio em vários ecossistemas. Segundo dados da “Campanha de papelão Deise”, a cada 26 pacotes de 500 folhas sulfite, corta-se uma árvore. Isto mostra-nos que mudar o padrão de consumo é uma necessidade urgente.
A conscientização do consumo, se faz através da mídia, na televisão, internet e outros meios de comunicação e através do processo educacional das futuras gerações, com uma grade curricular complementar dos conteúdos de Biologia, Química, Sociologia. Afim de levar a sociedade a compreender os processos de poluição, o uso adequado dos recursos naturais, o descarte correto do lixo eletrônico, e outras ações de sustentabilidade. Estas ações para conscientização devem ser realizadas por meio de leis complementadas da Câmara dos Deputados e dos Vereadores, com a participação de profissionais do meio ambiente e da educação.
Ainda se faz necessário investimentos das prefeituras em parceria com o governo do estado para e desenvolverem nos municípios e capitais a reciclagem, coletas seletivas, aterros sanitários (para o lixo não-reciclável), gerando assim renda para os catadores e trabalhadores das cooperativas, engajamento político social para os indivíduos e quem sabe um legado menos “miserável” aos olhos de Machado de Assis.