Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 01/11/2017
No romance 1984, o escritor George Orwell cria uma sociedade infernal. Ou seja, um organismo social que controla todos os atos, gestos, palavras e pensamentos dos indivíduos. Há a figura do Big Brother (O Grande Irmão), que, pela mentira e pelo medo, domina o estado de espírito da população. Em uma analogia à narrativa de Orwell, compreende-se que ao discutir-se sobre o impacto ambiental do consumo, a ficção imita a realidade, uma vez que o consumismo implantado na sociedade pode deter do controle das ações dos indivíduos.
É imprescindível, em uma primeira abordagem, compreender as analogias implícitas em um dos romances mais citados do século XX. A partir desse contexto, cabe analisar que, na obra, ninguém viu o Grande Irmão em pessoa, ou seja, o tirano mais dominador é, também, o mais abstrato, semelhante ao controle que a mídia pode exercer na sociedade. Em harmonia ao enredo literário, pode-se afirmar que a liquidez na identidade dos indivíduos propiciou o desejo cada vez maior pelo consumo de produtos, cada vez mais incentivado pelos meios de telecomunicação, o que em suma, gera grandes impactos ao meio ambiente, pois além de gerar grande grande quantidade de lixo, o qual não há o devido destino, causa massificação dos recursos naturais, alterando todo o ecossistema, o que propiciou a intensificação do efeito estufa, acidificação das chuvas, redução na camada de ozônio, entre outros. No entanto, não é aceitável que ainda exista um regime que estimule a degradação ambiental, o que deve, pois, ser repudiado.
Nessa perspectiva, cabe avaliar os efeitos desse processo, à luz da concepção sociológica de Zygmunt Bauman. Segundo o pensador, na obra “Modernidade Líquida”, o individualismo é uma das principais características da modernidade e, por conseguinte, o egoísmo nas questões sociais leva uma parcela da população a ser incapaz de compreender as consequências dos seus atos. Esse problema se destaca em áreas específicas no Brasil, onde, apesar de ser considerado um país altruísta, há, enraizado de forma implícita e disfarçado, uma grave egocentrismo. Assim, um caminho possível para combater os impactos ambientais pela Era do consumismo é, primeiramente, desconstruir o principal problema da atualidade: o individualismo.
A fim de garantir, portanto, a harmonia social, são necessárias transformações na sociedade. O Estado deve, então, promover maior fiscalização e policiamento nas áreas mais abundantes em biodiversidade no Brasil, como na Amazônia, a fim de intimidar os possíveis devastadores. Além disso, cade aos governos promover a diminuição de consumo, por meio de cartilhas e propagandas televisionadas, para que haja o engajamento social na diminuição do lixo.