Impactos ambientais do consumo no século XXI

Enviada em 01/03/2018

A sociedade contemporânea - desenvolvida e tecnológica - é também a sociedade do consumo exagerado. A obsolescência programada une-se ao que Zygmunt Bauman chamava de “modernidade líquida”, em que tudo de torna descartável. Como consequência, tornou-se imperativo repensar a gestão de resíduos e os impactos ambientais a fim de minimizar os danos às gerações futuras.

Apesar da criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, dados atuais mostram que 40% do lixo ainda é descartado a céu aberto. Isso contribui para o aquecimento global, derretimento das calotas polares, chuva ácida e eutrofização dos corpos d’água. Ou seja, parte do lixo que teria grande potencial econômico - se tratado adequadamente -, é desperdiçado, levando consigo a perda de milhões de reais em um país marcado por sérias desigualdades sociais.

Cabe ressaltar que a logística reversa, medida que responsabiliza as empresas pelo retorno dos resíduos, não funciona como deveria. Restam então poucas iniciativas de coleta seletiva para exercer esse papel. Comparada à magnitude do problema, essas ações são insuficientes para resolver a questão. Assim, a lógica consumista impregnada no cotidiano social não consegue ser sobreposta por esparsas ações regionais e locais.

Logo, cabe aos indivíduos praticarem o consumo racional e  o descarte seletivo, de modo que ajude as cooperativas de catadores. A gestão municipal deveria criar mais postos de recolhimento do lixo em parceria com os comércios locais. Além disso, os governos estaduais poderiam incentivar e regularizar o trabalho dessas cooperativas, bem como criar projetos sustentáveis, com o uso de reciclagem, compostagem e produção de biogás como fonte energética. Desse modo, somente com esforços conjuntos poderemos frear o avanço dos danos ambientais originados pela vaidade do consumo.