Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 20/03/2018
A teoria Neomalthusiana, desenvolvida no século XX, defende que o crescimento demográfico corrobora a escassez dos recursos naturais e o déficit no desenvolvimento econômico. Sob essa ótica, nota-se que, na contemporaneidade, os impactos ambientais se tornaram comuns, seja devido à ausência de uma noção sustentável, seja ao escasso investimento estatal.
Mormente, analisa-se que o consumismo exacerbado e o marketing são agentes catalizadores de tal problemática. Isso porque, conforme os sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer, diante do cenário capitalista atual, as empresas manipulam e padronizam os pensamentos dos indivíduos, de modo a garantir o lucro. Nesse sentido, aumenta-se a utilização de objetos não biodegradáveis que se acumulam e geram catástrofes, como inundações. Além disso, muitas pessoas, mediadas pelo individualismo, não se preocupam com o destino do lixo no espaço social, de modo a manter uma postura de abstinência. Por conseguinte, segundo a OMS, morrem anualmente cerca de 1,7 milhões de crianças em virtude da poluição.
Ademais, observa-se ainda que a ausência de investimento governamental implica a manutenção desse impasse. Isso se deve ao fato de que, em razão da falta de engajamento da população e da corrupção, a maioria dos políticos não destinam os recursos necessárias ao gerenciamento do descarte de lixo. Por consequência, esse sistema se torna cada vez mais inoperante, de forma a impedir a coleta seletiva e um destino efetivo desses sólidos. Por exemplo, as providências tomadas pelas autoridades para conter os rejeitos da tragédia de Mariana foram insuficientes e não correspondem à dimensão das consequências socioambientais e econômicas.
Urge, portanto, que a sociedade valoriza as questões econômicas em detrimento dos fatores ambientais, de maneira a estar exposta aos impactos dessa ação. Destarte, cabe ao Governo, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, criar uma estrutura abrangente de sustentabilidade, por meio de incentivos aos empreendedores que adotarem medidas conscientes sobre o tema, bem como a aplicação, através do setor midiático, de campanhas ministradas por profissionais da área (mestres e doutores em sustentabilidade) nas escolas e nos meios comunicativos - como outdoors. Ademais, o Tribunal de Contas da União deve destinar capital que, por intermédio de ONGs e instituições sem fins lucrativos, será revertido na profissionalização de cooperativas de catadores e no descarte correto dos recursos sólidos, para que se evite seu acúmulo e contaminação. Dessa forma, poder-se-á evitar a carência dos meios naturais da máxima neomalthusiana.