Impactos da ausência de projetos culturais nas escolas brasileiras
Enviada em 10/08/2023
Antonio Gramsci, filósofo italiano, escreveu no artigo “Homens ou máquinas?” o seguinte: “O proletariado precisa de uma escola desinteressada.[…] Uma escola que não hipoteque o futuro da criança e […] sua consciência em formação a mover-se por trilhos com estação prefixada”. Analogamente, se observa no Brasil um processo de sucateamento da instrução e da cultura. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos: o desligamento da cultura na educação e a mecanização do ensino.
Em primeira análise, evidencia-se o processo de desligamento das práticas culturais em relação à educação. Sob essa ótica, na educação brasileira, conforme apontado no artigo “Falta cultura à educação”, de Eduardo Porteira, publicado no site Academia Brasileira de Letras, a aprendizagem é separada do contato cultural. Tal processo é ocasionado principalmente pela falta de investimentos nas escolas, uma vez que os professores enfrentam dificuldades financeiras para poder organizar visitas a espaços culturais, como museus, teatros, ou a realização de eventos culturais dentro das escolas. Por consequência, os indivíduos passam a ter carestia de uma bagagem cultural e de senso crítico.
Por outro lado, é notório como o agravamento do processo de mecanização do ensino agrava o acesso às práticas culturais. O modelo de educação utilizado fornece um itinerário apertado entre as disciplinas, priorizando as de português e matemática, em detrimento do proveito de outras, como artes, filosofia, etc. Indubitavelmente, ao promover uma educação baseada em decorar temas estritamente programados, sem o conjunto de projetos culturais, a educação deixa de servir para gerar consciência e conhecimentos próprios em seus discípulos, para formar uma grande massa de seres mecanizados, apenas educados com o mínimo para serem inseridos no mercado de trabalho.
Depreende-se, portanto, adoção de medidas que viabilizem reduzir a falta de projetos culturais nas escolas. Desse modo, cabe ao Governo Federal realizar uma reforma estrutural em todo o sistema de ensino, a fim de que os indivíduos se desenvolvam de maneira plena, viabilizando o ensino humanista de todos os alunos, garantindo o acesso a aulas de música, desenho, debates, leituras e garantir acesso aos espaços culturais, tornando-os humanos completos de si.