Impactos da ausência de projetos culturais nas escolas brasileiras

Enviada em 04/11/2023

O sociólogo brasileiro e ativista dos direitos humanos Hebert de Souza afirmava que um país não muda pela economia, pela política ou pela ciência, mas muda pela sua cultura. No entanto, ao analisar a conjuntura brasileira, vê-se uma oposição à fala anterior, já que a falta de projetos culturais nas escolas compromete e harmonia coletiva nacional. Diante disso, têm-se um problema fomentado não só pelas metodologias educacionais ultrapassadas, mas também pela negligência governamental.

Sob essa perspectiva, vale destacar que o sistema educacional arcaico é um dos impulsionadores da escassez de cultura nas escolas. Assim como é retratado no filme “Mudança de Hábito 2”, a inclusão de atividades culturais pode fazer com que alunos marginalizados percebam que a arte pode ser uma maneira de melhorar tanto a autoestima como, consequentemente, a qualidade de vida. Nesse contexto, há de se perceber intrínseca relação com o tema, pois os programas pedagógicos não valorizam as matérias artísticas da mesma maneira com que prestigiam disciplinas como matemática ou física, por exemplo. Isso faz com que os discentes se sintam oprimidos, já que não recebem o devido prestígio. Logo, é inaceitável que, no século XXI, alguns conteúdos sejam priorizados em detrimento de outros.

Ademais, os entraves acerca da falta de interesse do estatal sintetizam outro desafio a ser sanado com urgência. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, garante que o Estado deve garantir o pleno exercício dos direitos culturais, assim como deve incentivar a divulgação e a apreciação dos movimentos artísticos. Entretanto, as autoridades competentes rompem com essa conformidade, pois o Novo Ensino Médio, aprovado em 2017 e que entrou em vigor em 2022, agrupa as disciplinas em grupos, desfavorecendo, assim, as possíveis manifestações artísticas no âmbito escolar.

Depreende-se, portanto, a urgência de ações interventivas com o fito de amenizar a questão. Para isso, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro, deve, por meio de profissionais capacitados, promover atividades extracurriculares para que os estudantes desenvolvam suas capacidades artísticas e culturais.