Impactos da ausência de projetos culturais nas escolas brasileiras
Enviada em 18/08/2024
De acordo com o educador Paulo Freire, “A educação não transforma o mundo. A educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”. É nesse sentido que torna-se necessário debater a respeito do impacto da ausência de projetos cultu-rais nas escolas brasileiras. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um gra-ve problema de contornos específicos, em virtude da implementação incompleta da base nacional comum curricular e a carência de profissionais capacitados para estimular o desenvolvimento de projetos culturais no ambiente escolar.
A princípio, há de ser analisada a falta de execução de todos os conteúdos obri-gatórios para os estudantes do ensino básico presentes nessa questão. Segundo dados do G1, a Lei 10.639/03, que trata da obrigatoriedade do ensino de “história e cultura afrobrasileira”, não é devidamente cumprida, mesmo após 20 anos de sua expedição. Nesta conjuntura, pode-se observar que mesmo conteúdos legalmente exigidos não são adequadamente lecionados, fator que impossibilita incrementar novas atividades de extensão curricular, como é o caso dos projetos culturais.
Em segunda análise, tem-se a ausência de profissionais aptos a explorar os me-canismos de aprendizagem dos alunos, no que diz respeito às intervenções cultu-rais. De acordo com o filósofo Hegel, “A educação é a arte de tornar o homem éti-co”. Porém, na contemporaneidade brasileira, percebe-se a falta de ética e conhe-cimento cultural por parte dos docentes, os quais não estimulam novas experiên-cias artísticas para seus discentes. Ou seja, o ensino é falho tanto no ato de capaci-tar indivíduos para atuar nele, quanto formar pessoas capazes de modificá-lo. Por isso, a carência de projetos antropológicos continua sendo viabilizada e apenas se-rá revertida com ações governamentais.
Depreende-se, portanto, que é necessário uma intervenção para combater os impactos da ausência de projetos culturais nas escolas brasileiras. Dessa forma, ca-be ao Ministério da Educação reformular a base nacional comum curricular, a fim de incluir projetos voltados para a cultura. Tais ações, ainda, podem ser comple-mentadas com fiscalização das normas desse documento no ambiente escolar, pa-ra que essa problemática não se perdure na sociedade. Somente dessa maneira, as pessoas poderão transformar o mundo.