Impactos da ausência de projetos culturais nas escolas brasileiras

Enviada em 16/05/2025

“Eu só boto bebop no meu samba quando o Tio Sam tocar um tamborim”, a can-ção de Jackson do Pandeiro, lançada na década de 1950, demonstra a resistência do sambista a incorporar elementos estrangeiros às suas manifestações culturais. Entretanto, no Brasil globalizado, a carência de projetos culturais nas escolas enfra- quece esse posicionamento patriótico e facilita a colonização cultural, tendo em vis-ta que, o modelo tradicional de educação, empregado no sistema público de ensi-no, oprime a autonomia dos estudantes.

Em primeiro lugar, é fato que as instituições educacionais tem papel determinan-te no estímulo a atividades culturais, durante e após a formação. Tal fato foi divul-gado pelo portal Nova Escola: uma pesquisa aponta que mais de 50% das pessoas que não concluíram o ensino médio têm, no máximo, 2 atividades culturais no ano. Com isso, o patrimônio cultural nacional é ameaçado, uma vez que, a falta de fami-liaridade com a própria história e tradição facilita disseminação da indústria cul-tural, conceituada pelos filósofos Adorno e Horkheimer, e a incorporação da cultu-ra de massas homogeneizada, a chamada “colonização do espírito”.

Em segundo lugar, é válido destacar que o paradigma pedagógico das escolas corrobora com a fragilidade identitária dos indivíduos perante à conjuntura globali-zada. De acordo com o educador Paulo Freire, a educação brasileira pode ser ca-racterizada como “bancária”, na medida que o professor “deposita” o conhecimen-to nos alunos, sem estimular o pensamento crítico e autônomo do discente. Em contraste, o filósofo Friedrich Schiller afirma que a educação estética, ou seja, o desenvolvimento de uma consciência estética e a valorização da cultura, torna as pessoas mais sensíveis e melhores para viver em sociedade, sendo esta muito mais benéfica para o corpo social brasileiro.

Infere-se, portanto, que é imperioso que o Poder Legislativo, por meio de leis, destine verbas para projetos culturais nas escolas públicas — com colaborações entre o Ministério da Educação e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) . Dessa maneira, será estimulado o pensamento crítico e preser-vado o patrimônio histórico e cultural brasileiro, superando os desafios do mundo globalizado e a “colonização do espírito”.