Impactos da dengue na saúde pública brasileira
Enviada em 08/08/2024
A obra “Cidadão de Papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, remonta o quadro de precarização dos direitos que não são efetivados no corpo social brasileiro. Fora do contexto literário, esse ensaio pode representar a conjuntura do sistema de saúde pública brasileira frente ao problema da dengue. Nesse sentido, essa problemática tem como origem inegável a negligência do Estado, que se faz omisso quanto ao cenário de hierarquização cidadã. Assim, aprofundam essa violação da dignidade humana a carência infraestrutural e a escassez de representatividade política.
A lacuna estrutural, dessa forma, cristaliza a sobrecarga do sistema de saúde e a ineficiência do saneamento básico. Essa situação surge da ingerência governamental em disponibilizar mecanismos para o cumprimento da determinação legal que, mesmo prevendo o direito à cidadania, esse não se efetiva na prática pela ausência de atendimento emergencial e pressão sobre os profissionais de saúde. Essa realidade pode ser comprovada pelo conceito de “Subcidadania”, cunhado pelo sociológo Jessé de Souza, o qual serve de caracterização para a precarização de garantias legais básicas, que inviabiliza o direito universal de saúde e bem estar igualitário, como é o caso elementar das regiões mais vulneráveis.
Além disso, percebe-se que a falha representação política consolida a desigualdade econômica entre regiões. Esse panorama acontece porque o Estado, utilizado como ferramenta de manutenção dos intereses privados dos representantes, marginaliza necessidades coletivas, ao silenciar a restrição do acesso a direitos sociais, que autoriza a hierarquização de privilégios políticos. Essa reflexão pode ser confirmada pela publicação “Microfísica do Poder”, de Michel Foucault, que analisa a atuação do poder na organização das relações sociais desiguais, a exemplo das regiões norte e nordeste que, por questões climática, favorecem a proliferação do aedes aegypti.
Portanto, ao compreender a necessidade de mitigar esse quadro, é crucial que o Ministério da Saúde intensique as ações de prevenção ao mosquito da dengue, por meio de propagandas visuais, para que seja controlada a doença e proteja a população e afaste o país do contexto analisado por Dimenstein.