Impactos da dengue na saúde pública brasileira
Enviada em 10/09/2024
Desde 1988, a Constituição federal garante o direito à saúde para todos os cidadãos, a fim de promover a integridade coletiva e o bem estar social. No entan-to, no contexto social atual, a realidade difere-se da apresentada na legislação, principalmente em função das evidências dos impactos da dengue na saúde públi-ca brasileira. Isso ocorre devido a sobrecarga no sistema de saúde público e tem como consequência a isonomia social.
Antes de tudo, é importante ressaltar a pressão sobre o sistema de saúde como fator fundamental para a manutenção desse problema. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade líquida dissolve a solidez das instituições, deixando-as incertas e vulneráveis. Nesse sentido, é possível citar a sobrecarga no sistema de saúde pública como exemplo de uma gestão fragilizada e despreparada para crise epidemiológicas como essa. Pois, segundo um relatório do Ministério da Saúde, a taxa de ocupação de leitos com os casos de dengue chegou a 80%. Desse modo, em decorrência da pressão da saúde pública, ocorre a superlotação de leitos e baixa qualidade no atendimento de outras doenças, exemplificando a ideia de solidez das instituições ditas por Bauman.
Outrossim, é necessário perceber uma grave consequência do impasse supracitado. Sob essa ótica, segundo o princípio da isonomia social, originado na Grécia antiga e utilizado na legislação brasileira, todos os cidadãos devem ter um tratamento igualitário. Contudo, com a grande carga sobre a organização de saúde, os serviços e diagnósticos de outros pacientes sem dengue são negligenciados devido a alta demanda de ocupação e falta de preparação prévia dos enfermos com dengue. Dessa forma, a isonomia social é contrariada, pois uma parcela da população é segregada desse direito constitucional.
Portanto, faz-se mister a resolução dessa problemática. Destarte cabe ao governo, na condição de garantidor dos direitos, promover palestras explicativas sobre a prevenção da dengue, por meio de médicos, veterinários e outros especialistas na área da saúde. Assim, tendo como finalidade a prevenção e, consequentemente, a diminuição dos casos da dengue, efetivando as propostas da Carta Magna de 1988.