Impactos da dengue na saúde pública brasileira
Enviada em 01/11/2024
Em 2024, o Ministério da Saúde declarou a epidemia de uma das doenças mais cruéis da história: a dengue, que pode causar danos fatais. Nesse contexto, fundamenta-se a necessidade de não negligenciar os impactos causados pela arbovirose na saúde pública. Dessa forma, esse cenário comprometedor deve ser analisado considerando as desigualdades sociais que dificultam o combate, mas também a omissão estatal que impede o controle epidemiológico.
Deve-se destacar, primeiramente, que as disparidades sociais mantém o agravamento da problemática. Desde o período colonial, as populações carentes ficavam restritas a guetos e cortiços, sem acesso a condições dignas de moradia e infraestrutura. Na realidade atual, a máxima do século XVI persiste nas habitações, haja visto o acelerado desenvolvimento das cidades e centros urbanos que desamparam as populações desfavorecidas. Dessa maneira, a segregação
socioespacial intensifica a incidência da doença causada pelo “Aedes Egipyt”, pois obriga os indivíduos a instalarem-se em regiões sem o devido tratamento de água e coleta de lixo adequada assim, criando criadouros pelo acúmulo de líquidos na região. À vista disso, a falta de ações governamentais para melhoria das habitações insalubres corrobora com a proliferação da endemia.
Ademais, a ingerência estatal dificulta o combate à doença. Segundo, Noberto Bobbio-expoente filósofo italiano-entendia que o Estado deveria não apenas garantir os benefícios da lei, mas assegurar que todos tivessem acesso a direitos básicos. Todavia, a ideologia de Bobbio, embora seja o ideia, mostra-se uma utopia sobretudo no que se refere a contenção da dengue, visto que a falta de investimento em clínicas médicas especializadas e hospitais em áreas vulneráveis impede o efetivo controle da virose. Inclusive, segunda a OMS, a cada 1 real investido na saúde pública, são acrescidos 4 reais no PIB do país. Dito isso, mostra-se necessário o investimento de verbas governamentais em pesquisas para o desenvolvimento de vacinas e construção de centros de atendimento.
É urgente, portanto, que o Ministério da Saúde, responsável pela administração da saúde pública, crie programas de pesquisa científica, por meio de verbas públicas, para que seja desenvolvido novas vacinas e tratamentos para a doença tão cruel.