Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 15/10/2018

A água pode ser considerada uma substância vital para todas as espécies, de tal forma que o acesso a ela passou a ser defendido pela ONU, desde 2010, como um dos direitos humanos. No entanto, ao considerar que a média de consumo diário seja de 60 litros por pessoa, e a degradação do meio ambiente associada ao consumo imprudente das sociedades contemporâneas, a escassez desse recurso natural parece ser uma realidade cada vez mais possível.

A insuficiência de água própria para consumo acarreta no fenômeno conhecido como “estresse hídrico”, o qual corresponde à diferença entre a quantidade de água consumida e a quantidade disponível. Isso porque o descaso do governo para com o consumo consciente atua diretamente na escassez desse recurso e, consequentemente, no estresse hídrico, assim como as irregularidades no sistema de distribuição de água, que resultam em 37 litros desperdiçados de cada 100 litros tratados, segundo a série documentativa Explicando.

Dessa forma, as entidades governamentais utilizariam como recurso o aumento de impostos sobre a água, com o intuito de alertar a população sobre o consumo imprudente. Porém, além dessa medida afetar principalmente a parcela mais humilde da população, ela não acarretaria numa transformação cultural e comportamental sobre esse recurso, assim como foi possível observar em São Paulo, em 2014, quando o estado passou por uma grave crise hídrica, mesmo possuindo o sistema de “bandeiras” sobre a taxação do consumo de água, o qual aumenta o valor dos impostos de acordo com a quantidade de água disponível nos reservatórios. Outrossim, o despejo de esgotos em rios e a degradação da biosfera, por meio de queimadas, desmatamento e poluição atmosférica, diminuem notadamente a quantidade de reservas hídricas disponíveis.

Portanto, os impactos da escassez da água seriam o aumento da desigualdade social, por conta do aumento dos impostos sobre esse recurso, e o declínio da qualidade de vida da população, uma vez que a água também é essencial para a manutenção da saúde. Dessa forma, é necessário que os impostos arrecadados pelo Governo, sobre o consumo de água, sejam convertidos para a reforma do sistema de distribuição, a fim de que o desperdício desse recurso seja mínimo. Ademais, é de extrema relevância que o Ministério da Educação inclua no programa de ensino das escolas aulas sobre a conscientização da importância e do uso prudente deste recurso, de forma que a valorização dos recursos naturais, como a água, se torne cultural e um costume a ser passado de geração em geração. Por consequência, o respeito pelo meio ambiente será exercitado e a essência da vida poderá ser compartilhada de forma responsável e justa para todos.