Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 19/10/2018

A Obra literária O Quinze, de Rachel de Queiroz, retrata a vivência dos retirantes nordestinos, que foram obrigados a migrar devido a escassez hídrica. Não obstante da obra, o país que possui o maior reservatório de água doce do mundo, tem enfrentado secas cada vez mais severas, devido a demanda do consumo desenfreado desse recurso imprescindível à vida. De modo a tornar essencial alterações no uso desregulado e o combate à desigualdade na obtenção de tal recurso.

Em primeira análise, cabe pontuar que, a intensificação das secas está associada ao aumento dos incêndios florestais realizados no intuito de expandir a fronteira agropecuária, sobretudo, no cerrado, de modo que, a diminuição da área verde reduz a quantidade de captação das águas, e emite uma taxa maior de gases poluentes que também alteram o regime de chuvas. Além das queimadas, as atividades garimpeiras concentradas na amazônia influenciam diretamente na contaminação dos reservatórios visto que, o uso desenfreado de substancias tóxicas como mercúrio contaminam as bacias hidrográficas, como a bacia amazônica que contem 80% de toda água doce do país.

Vale ressaltar que, a falta de políticas públicas, envolvendo serviços básicos como tratamento de esgoto, captação e reaproveitamento da água ainda são precários ou até mesmo inexistentes, de acordo com a estimativa do Instituto Trata Brasil, o nordeste possui apenas 36% de esgoto tratado, de modo a expor parte da população à doenças contagiosas devido ao ambiente insalubre. Por conseguinte, os impactos ambientais provocados pelas ações antrópicas, geram efeitos em outros estados, como as secas enfrentadas pelo Sudeste, diante disso o racionamento de água é algo comum em grandes cidades como São Paulo, onde a população é maior e com isso o consumo também, ocorrendo assim um abastecimento semanal e não diário como antes.

São notáveis, portanto, as causas da escassez desse solvente universal. Logo, o poder midiático deve alertar e orientar ao público sobre o uso consciente. Além disso, os poderes executivos aliado ao legislativo devem exercer seus papéis atuando na fiscalização de áreas consideradas degradadas ou de risco, e punindo efetivamente os infratores. Ademais, faz-se necessário, uma  reforma no sistema de saneamento básico, e de reaproveitamento, visando melhorar a qualidade e quantidade de água potável em áreas como o Nordeste.