Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 23/10/2018

Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão, águas que banham aldeias e matam a sede da população são versos da música Planeta Água do cantor Guilherme Arantes. Entretanto, tais ações realizadas graças a água estão cada vez mais difíceis de acontecer. O Brasil detém a maior reserva mundial de água potável, mas isto não faz com que esteja numa situação tranquila. Além da seca e desperdício de água, a má distribuição  e as ligações clandestinas são fatores que intensificam a crise hídrica no país.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a Agência Nacional das Águas, a  região Norte possui 68,5% dos recursos hídricos do Brasil e uma baixa densidade demográfica, ao passo que o Nordeste dispõe de 34,15 habitantes por quilômetro quadrado e apenas 3,3% de recursos hídricos. Assim, esses dados alegam a desproporção da distribuição de água no Brasil, na qual a região mais habitada não compreenderá a quantidade de água equivalente. Embora fatores ambientais contribuam para tal, a falha na gestão do sistema de abastecimento é um agravante fazendo com que a população, a indústria e o agronegócio sofram com a falta de água.

Além disso, segundo o Instituto Trata Brasil, a média de perdas de água no país é próxima de 40%. A perda ocorre através de desperdício, erros de medição, e principalmente, ligações clandestinas. Estas, por sua vez, ocorrem sobretudo nas construções em área irregulares, locais com riscos de deslizamentos e inundações, de forma que a água tenha alto risco de contaminação acarretando na proliferação de doenças. Ademais, o Instituto mostrou que dos 151 milhões de metros cúbicos de água consumidos, apenas 16,7 foram faturados. Ou seja, além de ser um problema de saúde pública e desigualdade social, as ligações não registradas comprometem a economia do país.

Portanto, nota-se que a escassez de água não se restringe a seca, mas também engloba fatores de falha de gestão, monitoramento e desigualdade social. Para combater esta crise, o Ministério do Meio Ambiente, com apoio do Ministério do Planejamento, realizar um mapeamento das áreas com carência de água e a partir disso viabilizar um programa de redistribuição que será monitorado mensalmente. Este monitoramento deverá ser disponível para a população, por meio de sites ou aplicativos, de forma que possam alertar problemas de vazamentos, desvios de água ou a falta dela. Assim, diminuirá o desperdício de água e atenderá toda a população.