Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 22/10/2018
A água é indispensável em qualquer civilização. O Egito, por exemplo, ficou conhecido como “Dádiva do Nilo” graças à importância do rio no desenvolvimento dessa sociedade. Atualmente, no entanto, a manutenção da disponibilidade de água potável é incerta. No Brasil, essa ameaça, capaz de comprometer a ordem nacional, resulta, sobretudo, do consumo desordenado do elemento por parte dos setores de produção e das dificuldades inerentes ao abastecimento. À vista disso, faz-se necessária a adoção de medidas eficazes não só na adaptação dos produtores à racionalização, mas também na melhoria das redes de distribuição.
Por esse viés, é possível definir o uso desordenado dos recursos hídricos, fator explícito no cenário brasileiro, como razão fundamental do impasse. Tal descontrole provém, principalmente, dos processos de industrialização e de expansão da fronteira agrícola. Com efeito, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas, os dois setores são responsáveis por mais da metade do consumo desse elemento. A Revolução Verde, com a modernização do campo e avanço do agronegócio, potencializou a aplicação de técnicas que aumentam o desperdício, como a irrigação não racionalizada. Sendo assim, a falta de controle acerca da água virtual precisa ser contornada.
Outrossim, também é preciso ressaltar as fragilidades presentes no sistema de distribuição de água. De fato, segundo um estado realizado pelo Instituto Trata Brasil, aproximadamente 38% da água tratada nacionalmente é perdida dentro das redes de fornecimento. A existência de vazamentos, roubos e ligações clandestinas é um dos grandes empecilhos para o aproveitamento dessa substância. Desse modo, os entraves intrínsecos a captação, tratamento e distribuição desse líquido representam inúmeros riscos de agravamento à escassez hídrica, para além das inevitáveis perdas financeiras.
Tales de Mileto, considerado o pai da filosofia ocidental, acreditava que a água é a origem de tudo. Nessa perspectiva, sua preservação é imprescindível para a conservação da vida. Para tanto, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente estabeleça um limite apropriado de utilização do recurso dentro das indústrias e do agronegócio, além de garantir a fiscalização acerca de seu cumprimento, viabilizando que a produção dos bens de consumo não representem um perigo à sociedade. Com o mesmo fito, também é sua tarefa incentivar o uso de técnicas de irrigação planejadas, como o gotejamento, por meio de palestras direcionadas à agricultores e empresários da área. Ademais, a fim de conter perdas e prejuízos, o governo deve investir em reformas no sistema de abastecimento, com renovações em tubulações e redes danificadas, assegurando uma maior longevidade ao elemento.