Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 26/10/2018
Na obra “Entre quatro paredes”, do filósofo Jean-Paul Sartre, o protagonista Garcin declara a sentença “o inferno são os outros”. Desse modo, afirma sua insatisfação em conviver socialmente, vista a pluralidade notória de idiossincrasias humanas - sobretudo, o individualismo. Esse sentido de inconformidade pode ser aplicável ao contexto dos impactos da escassez de água no século XXI, já que há um descaso político com prerrogativas governamentais, no que se relaciona a água e sua distribuição, além da lenta mentalidade social.
Dessa maneira, é importante salientar que a questão judiciária e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com Aristóteles, o livro “Ética e Nicômaco”, a política serve para garantir os direitos entre os cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, tal fato se reflete no baixo investimento em encanações, no Rio de Janeiro, por exemplo, mais de 50% da água que sai do reservatória é desperdiçada na forma de vazamento, com tubulações velhas. Além disso, o uso da água potável na agricultura chega a superar 65%, é nítido que aumentasse os investimentos em pesquisas na engenharia genéticas essa porcentagem seria diminuída.
Além disso, analisando mais profundamente o contexto brasileiro, percebe-se que o impacto da água manifesta-se quase indissociável à cultura, pois, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, as estruturas sociais são internalizadas pelos indivíduos. De maneira análoga, a sociedade individualista, “aceitou” por muito tempo a seca no nordeste, mas quando esse problema chegou ao sudeste o mundo deu uma atenção maior para esse fator. É não há duvidas que isso seja consequência do desmatamento, da ocupação desordenada das cidades, da poluição dos rios e da falta de planejamento hídrico no país.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Faz-se necessário que, primordialmente, que o Governo Federal invista em pesquisas com o intuito de reduzir o consumo da água no ramo da agricultura, além de aumentar as fiscalizações em florestas diminuindo o desmatamento. Paralelamente, cabe ao Ministério da Educação implementação de um programa nacional escolar que vise conscientizar a população da importância e a economizar e reutilizar a água. Dessa maneira, com base no equilíbrio proposto por Aristóteles, esse fato social será gradativamente minimizado no país.