Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 25/10/2018
Embora 70% do planeta seja constituído por água, a maior parte dela é salgada e imprópria para consumo. Nesse sentido, o descaso crescente com esse meio trouxe problemas como a escassez hídrica, evidenciada principalmente pelo destruição das matas ciliares e dos biomas, bem como pelo desperdício hidrológico do agronegócio.
Em primeira análise, pode-se destacar as ações antropológicas às matas ciliares. Como o próprio nome exemplifica, essa vegetação funciona como verdadeiros cílios, protegendo os rios e lagos de sofrerem desgastes em suas margens. A partir disso, o desmatamento desses locais e dos biomas naturais em geral, devido a diminuição da evapotranspiração, causa, além da diminuição da biodiversidade, a redução de chuvas e alteração no volume dos rios, agravando o regime de seca de diversas regiões brasileiras. Um exemplo disso é o rio Parnaíba, um dos principais do nordeste e que infelizmente sofre com o assoreamento.
Outrossim, cabe salientar o excesso de recursos hídricos direcionados à agricultura, indústria e pecuária. Segundo o site do G1, estima-se que cerca de 90% do consumo hidrológico é destinado à essas áreas de produção. Diante disso, apesar dos filósofos pré-socráticos divergirem quanto ao verdadeiro ápeiron, ou seja, a essência de todas as coisas, Tales de Mileto acertou quando escolheu a água. Sendo o solvente universal das reações químicas e imprescindível pra maioria dos seres vivos, esse meio sofre com o modo de vida capitalista, que faz com que os seres humanos não meçam esforços para lucrar e produzir cada vez mais, ainda que custe a maior riqueza da Terra.
Nessa perspectiva, urge, portanto, que o Estado, a partir do ministério do meio ambiente, estipule metas de redução de consumo de água para as grandes empresas do agronegócio. Tal ação deve ser feita a partir de um documento oficial da União, a fim de diminuir o desperdício desse recurso, concedendo isenções e benefícios àquelas que cumprirem tais medidas. Sendo assim, nosso ápeiron poderá ser conhecido pelas gerações futuras.