Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 30/10/2018

Já descrito na lei da inércia, de Newton, um corpo tende a manter-se em seu estado natural até que uma força, maior ou igual, haja nele mudando seu trajeto. De forma análoga, quando se verifica a questão da escassez de água, no Brasil, vê-se que no lugar de existir, assim como na teoria, uma força que muda seu movimento, na prática seu percurso inerte é mantido. Nesse contexto, cabe avaliar-se os fatores que possibilitam essa situação.

Em primeira análise, a postura omissa governamental em fazer-se cumprir a Constituição - a qual garante o direito à água para todos - corrobora com o problema. De acordo com o filósofo São Tomás de Aquino, em um sociedade democrática as pessoas têm iguais relevâncias, além dos mesmo direitos e deveres. Entretanto, percebe-se que, essa igual relevância não é aplicada pelo Estado, haja vista a situação do abastecimento de água, principalmente, no sertão nordestino, onde obras como o da transposição do Rio São Francisco encontram-se paradas e deixam, infelizmente, os sertanejos à margem desse direito. Todavia, escritores como o modernista Graciliano Ramos, por meio de seu livro “Vidas Secas”, vêm tentando combater tais posturas de exclusão com o povo nordestino.

Outrossim, salienta-se o descuido da sociedade em relação ao desperdício de água. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira comum de agir e pensar. Dessa forma, o fato das pessoas não agirem com atitudes econômicas dos recursos hídricos levam a outras, indiretamente, a pensarem que devem seguir o mesmo padrão e, consequentemente, contribui para a manutenção de tal prática nociva a todos. Assim sendo, torna-se mais dificultoso a troca de percurso, da teoria à prática.

Evidencia-se, portanto, que cabe ao Governo, mediante o redirecionamento de mais verbas, concluir as obras da transposição do Rio São Francisco, além da implementação de processos de distribuições da água, por meio da contratação de caminhões-pipa semanais, destinados ao abastecimento de áreas menos acessíveis, a fim de que, assim, a escassez da água não impacte mais a vida dessa população. Além disso, o Ministério da Educação poderá estabelecer nas escolas, debates, palestras e apresentações lúdicas, ministradas por biólogos e professores para alunos e familiares, que discutam as consequências negativas do desperdício de água para a sociedade. Para que os indivíduos, junto à família, atuem como uma força newtoniana capaz de alterar o trajeto da falta de água.