Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 31/10/2018

Guerras Potáveis

Um dos primeiros filósofos sofistas, Tales de Mileto, ao procurar um princípio fundamental para todas as coisas, escolheu a água. Hodiernamente, ainda que se saiba que nem todos os elementos sejam compostos pela molécula polar, ela se mostra indispensável a todos os tipos de vida existentes no planeta terra. Com efeito, os impactos profundos causados pela sua escassez provém da relação direta entre negligência estatal e descaso social.

Em primeiro plano, é importante destacar que a agricultura, segundo a Organização das Nações Unidas, usa em torno de 70% do H2o tratado do país. Dessa forma, é possível afirmar que o governo não possui interesse de controlar o desperdício, quando sustentabilidade e lucro se tornam grandezas inversamente proporcionais. Paralelamente a essa dimensão, tem-se o aumento da falta de chuva nas grandes cidades, assim acarreta numa diminuição do líquido inodoro disponível, o que leva ao racionamento. A par isso, a poluição atmosférica nas metrópoles se agrava conforme o ar fica mais seco, por conseguinte influencia diretamente em problemas respiratórios da população.

De outra parte, Guimarães Rosa, escritor do modernismo, disse “Água de qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba.”, o qual concretiza em sua frase a vivência dos brasileiros, que não costumam se preocupar com o líquido desperdiçado, por acharem que é ilimitado. Apesar do Brasil ter a maior reserva hidrológica do mundo, a escassez não se limita em ser física, mas também econômica, pois não chega a muitos cidadãos que não possuem acesso a renda. Simultaneamente, a maior hidrografia do país está concentrada na região Norte, a qual fica distante das cidades com maior número de habitantes.

Portanto, a escassez da água possui forte ligação com corpo social e estado. Em virtude disso, cabe a mídia televisiva, aprimorar a criação de enredos que tratem sobre a dificuldade da ausência de H2o, por meio da ficção engajada, com seriedade, para seu público, com objetivo de diminuir o desperdício e aumentar o debate sobre a importância da sua preservação em cadeia nacional. Dessa forma, Tales de Mileto ficaria satisfeito ao saber que seu elemento escolhido será preservado e futuras guerras não acontecerão por causa do líquido.