Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 01/11/2018

O filósofo pré-socrático Tales de Mileto acreditava ser a água a “arché”, o elemento primordial e a força dinâmica que origina todas as coisas. Tal máxima não está totalmente equivocada, já que esse solvente universal é indispensável à vida e sua ausência torna-se um risco à saúde e ao desenvolvimento de uma população.

Primeiramente, é indubitável que a escassez de água ameaça a saúde e a qualidade de vida da população. Isso porque, segundo a OMS, uma pessoa carece diariamente de, no mínimo, 50 litros desse fluido para suprir adequadamente as suas necessidades mais básicas com alimentação e higiene. Nessa conjuntura, o acesso insuficiente a esse líquido essencial à vida possibilita o surgimento de enfermidades decorrentes da desidratação ou da proliferação de microrganismos infecto-contagiosos oriundos da utilização de águas impróprias, que comprometem o organismo do individuo.

Ademais, cabe ressaltar que a oferta insuficiente desse recurso afeta negativamente o progresso socioeconômico e a subsistência do país, uma vez que uma grande parcela dos processos produtivos o utiliza como insumo. Prova disso é que, segundo a ONU, cerca de 70% da água potável disponível no planeta é consumida pela agricultura e 22% pelas atividades industriais, evidenciando a extrema importância dela para a fabricação de alimentos e bens de consumo. Sob esse viés, devido ao enorme consumo hídrico nos sistemas de produção, uma gestão responsável desse bem vital torna-se imprescindível.

Portanto, dada a gravidade dos efeitos da escassez de água no bem-estar e no crescimento de uma população, medidas precisam ser tomadas. Dessa forma, cabe ao IBAMA, juntamente com as Secretarias do Meio Ambiente, monitorar, por meio de visitas frequentes às empresas, o uso da água nos processo produtivos e a gestão do líquido residual resultante da produção, a fim de avaliar possíveis excessos e desperdícios e de cobrar o tratamento e/ou o reuso dos resíduos, uma vez que a utilização racional da água como insumo nas indústrias e na agricultura, é fundamental. Além disso, convém ao Congresso Nacional, mediante alteração na Lei das Diretrizes Orçamentárias, propor um maior investimento em obras de abastecimento e saneamento, a fim de garantir a toda a população um acesso seguro a esse composto orgânico.