Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 02/11/2018

Em reportagens jornalísticas, é comum ver o choro de pais e mães diante da fome e sede das crianças nordestinas. Essas gotas de lágrimas são a maior concentração de umidade que a região irá presenciar em vários meses de seca. Noutra realidade, os cidadãos urbanos do sudeste lavam suas calçadas com abundância de água, que escorre rua abaixo até o próximo bueiro. Esse é um retrato de dois Brasis que, apesar de compartilharem o mesmo território, demonstram como o brasileiro usa mal um valioso recurso natural que existe em abundância na nação.

De fato, a OMS tem ressaltado que o direito à água é inerente à existência humana, e, por isso, lançou em 1992 o “Dia Mundial da Água”. Essa política defende que o ser humano tem direito a 50 litros de água diariamente; ou seja, reforça-se a ideia de que o recurso não deve desperdiçado (com uso abusivo por parte da população ou por meio da poluição com agrotóxicos, esgotos, materiais químicos ou sedimentos provenientes de lixo urbano ou hospitalar) ou mercantilizado (em produtos comerciais), sob pena de ficar restrito tão somente a quem possa pagar.

Algumas pessoas dizem que esse cenário seja absurdo, mas, se a transposição do Rio São Francisco não se efetivar rapidamente, milhares de pessoas continuarão sedentas, bem como, morrerão outras centenas de animais. Além disso, é de se ressaltar que, no Circuito das Águas do sul de Minas Gerais, empresas ligadas ao grupo Coca Cola já compraram empresas locais visando mercado futuro, pois, expandindo negócios, investiram no engarrafamento de água em São Lourenço e em Caxambu.

Assim, para preservar as águas brasileiras, é necessário que o Governo Federal financie empresas privadas, por meio do BNDS, a fim de que reutilizem águas residuárias (limpando-as e vendendo-as à população a preço acessível), bem como que, por meio de seus órgãos ambientais, o Governo Federal deva ampliar as restrições de captação uso de água para atividades comerciais que as utilizem intensamente. Desse modo, haverá mais racionalidade e sustentabilidade no uso dos recursos hídricos.