Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 27/11/2018
O livro “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, retrata a grande seca de 1915, no Nordeste, expondo de forma fidedigna a realidade dos habitantes dessa região, a qual é extremamente deplorável, sendo a causa de êxodo, morte e miséria. Nesse sentido, pode-se perceber que a escassez de água tem consequências drásticas na sociedade, haja vista que coloca em risco a vida de toda biosfera. Dessa forma, analisa-se que a falta desse recurso é, em parte, consequência da má administração tanto dos governos quanto da população.
Mormente, ressalta-se que, segundo o Estatuto da Água, esse recurso é um bem público, devendo ser preservado e usado para uso comum, com a prioridade de garantir as necessidades básicas do indivíduo. Contudo, o próprio Estado entra em desacordo com essa norma no momento em que polui rios e lagos com dejetos de esgotos, aprova licitações de obras com grande impacto ambiental e desmata as matas ciliares, pois tais atos corroboram a escassez desse bem e privam parte da população de um direito garantido legalmente. Logo, está claro que essa situação continuará a acontecer enquanto o Poder Público não agir de acordo com suas leis, sendo imprescindível a necessidade de intervenção.
Ademais, observa-se que o uso indiscriminado e o desperdício de água comprometem sua disponibilidade e renovação, haja vista que o ciclo biogeoquímico desse líquido precisa de condições ambientais favoráveis para ocorrer, como locais de infiltração de chuvas, que abastecerão os lençóis freáticos e nascentes. Em face a isso, fica claro que a esfera social, maior prejudicada pela carência, deve diminuir o consumo e o desmatamento –responsável pelo escoamento da pluviosidade-, com a finalidade de minimizar os danos causados de forma tão irresponsável e inconsequente.
Destarte, é notório que as ações do Estado e do povo são agravantes para a falta de água no século XXI e devem serem combatidas. A princípio, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente seja mais rígido e ativo em suas legislações, por meio da aplicação de multas e penas severas para as prefeituras e empresas que cometam impactos ambientais graves, fazendo uso de seu poder sobre tais questões, pois apenas assim os recursos hídricos estarão protegidos. Outrossim, é de suma relevância que o Ministério da Educação aplique às suas grades curriculares mais aulas sobre o tópico “água”, por meio de uma reforma no cronograma, além de um treinamento especial com os professores que o legislará, para que as futuras gerações sejam conscientes e responsáveis pela preservação de tal bem, tendo em vista que essa é a melhor maneira de se alcançar uma mudança nos hábitos dos cidadãos. Feito isso, evitará-se o sofrimento de 1915 e minimizará os danos já causados.