Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 06/12/2018
Segundo a Organização para Alimentação e Agricultura da ONU (FAO), a escassez de água afetará dois terços da população mundial até 2050. Nas próximas décadas, espera-se que a progressiva escassez de recursos hídricos continuará a fomentar conflitos internacionais, bem como a migração populacional massiva. Diante desses desafios, cabe analisar os impactos da falta de recursos hídricos no século corrente, bem como identificar alternativas pacíficas e consensuais para mitigá-los.
Em um cenário de insegurança hídrica progressiva, espera-se que ocorra o acirramento de conflitos internacionais. Atualmente, diversos conflitos relacionados à água estão em andamento. Há tensão entre Egito e Etiópia visto que a nascente do Nilo está em território etíope. A insuficiência de água é percebida em países dotados de armamentos nucleares, como China, Reino Unido e Paquistão. Caso alguma solução alternativa não seja implementada; países beneficiados pela abundância de água, como é o caso do Brasil e do Canadá, podem ser coagidos a compartilhar seus recursos hídricos.
Outros impactos da escassez de água concernem à dinâmica demográfica. As primeiras grandes civilizações se estabeleceram próximas aos rios porque as terras férteis favoreceram o desenvolvimento da agricultura, e, consequentemente, o aumento populacional. Isso ocorreu, durante a Antiguidade, no Egito, às margens do rio Nilo; na Suméria, entre os rios Tigre e Eufrates; e na China, ao longo do rio Amarelo. Opostamente, com a falta progressiva de água, espera-se que ocorra o recrudescimento da migração populacional, em massa, das áreas mais afetadas para lugares que ofereçam melhores condições de vida.
Diante da iminência de conflitos internacionais e da migração populacional, deve-se buscar soluções pacíficas e consentâneas para aplacar os efeitos da escassez de água no futuro próximo. Uma solução possível é a participação de Estados em tratados de cooperação técnica internacional, visando a implementação de projetos de irrigação para regiões afligidas pela falta de água. Israel, a título de exemplo, obteve êxitos notáveis no combate à desertificação de seu território e poderia compartilhar as técnicas desenvolvidas com mais países. Além dessa via, considerando o princípio da responsabilidade de Hans Jonas, cada indivíduo tem o dever de não desperdiçar água e de defender, politicamente, ações locais, nacionais e internacionais para a preservação desse recurso finito.