Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 10/12/2018

José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, retrata uma sociedade despida de altruísmo, cega, não só fisicamente, como também moralmente. Análogo a isso, no Brasil, a questão da escassez hídrica é um problema social, uma vez que população e governo fecham os olhos para os danos causados ao ecossistema pelo consumo exagerado e pela negligência pública. Destarte, o desmatamento, bem como a falta de saneamento básico são potencias dessa problemática, a qual deve ser atenuada mediante a reformulação de alguns setores.

Em primeira análise, cabe pontuar que o consumo de água virtual e desflorestamento ocasionam a crise hídrica atual. Comprova-se isso, por meio de empresas que, na fabricação de pequenas peças, como roupas e acessórios, consomem centenas de litros de água e desmatam biomas, a exemplo da Floresta Amazônica – responsável pelos chamados “Rios Voadores” que abastecem inúmeros estados brasileiros. Tal situação tem se tornado um problema cada vez maior, tendo em vista a cultura consumista empregada aos indivíduos, o que, de acordo com o filosofo francês Pierre Bourdieu, na teoria do Habitus, foi incorporada à população, desde as revoluções industriais, sendo reproduzida paulatinamente. Sendo assim, fica claro a necessidade de uma maior prudência à essa questão.

Atrelado ao contexto anterior, convém destacar que a carência de saneamento básico está relacionada à falta de água e péssima distribuição dela. Prova disso é a ausência de recursos públicos, como tratamento de esgotos e despejo adequado de lixo, principalmente, em comunidades mais pobres e menos povoadas que, tampouco, tem conhecimento sobre a importância de um manuseio adequado desses dejetos. Isso, consoante ao sociólogo Hans Jonas é inconcebível, já que é dever do Estado, e de todos, preservar a saúde e o meio ambiente para as gerações atuais e para as futuras gerações.

É fundamental, portanto, reconhecer a problemática gerada à sociedade tal como ao meio ambiente e propor medidas capazes de atenuá-la. Para tal, é a papel do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com grandes fábricas, implantar um projeto de conservação da água, por meio da criação de poços artesanais, de modo que, a água consumida na produção de certos produtos seja reutilizada, com o intuito de reduzir a captação bruta do recurso e dos custos de seu manejo, fazendo jus ao princípio estabelecido por Hans Jonas. Concomitante a isso, o Governo e agentes sanitários, devem promover campanhas de tratamento de esgotos nas comunidades e em todo país, como também instruir a população sobre o descarte correto do lixo, evitando que rios, como o Tietê, sejam aniquilados do consumo biótico. Dessa forma, poder-se-á aumentar o campo de visão da sociedade e, só assim, a falta de água deixará de ser um problema para os atuais e futuros habitantes.